Ministro da Aeronáutica de FHC diz que caça francês é bom para a FAB

O brigadeiro Mário Gandra, que foi ministro da Aeronáutica do governo Fernando Henrique Cardoso, disse hoje que a escolha do caça francês Rafale é uma boa opção para o programa de modernização da Força Aérea Brasileira (FAB).
“Para a FAB, qualquer dos aviões é muito bom”, afirmou o ex-ministro referindo-se aos dois outros concorrentes do caça francês da Dassaut, o americano F-18 Super Honet, fabricado pela Boeing, e o sueco Gripen NG, que será produzido pela Saab.
As afirmações do brigadeiro Mário Gandra foram feitas em entrevista à Rádio CBN, na manhã desta quinta-feira, depois que a Folha de S. Paulo divulgou a notícia – depois desmentida pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim – de que o Brasil já havia fechado a compra do caça francês.
De acordo com a reportagem, o contrato de compra dos Rafale foi assinado por Jobim na semana passada, quando passou por Paris, depois que a Dassaut concordou em reduzir o preço do pacote de 36 aviões de US$ 8,2 bilhões (R$ 15,1 bilhões) para US$ 6,2 bilhões (R$ 11,2 bilhões).
Preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo com a redução do preço o Rafale ainda fica mais caro do que os seus concorentes: o Gripen sueco tem preço estimado em US$ 4,5 bilhões, enquanto o pacote do caça produzido pela Boeing é da ordem de US$ 5,7 bilhões.
Na sua entrevista, o brigadeiro Mauro Gandra, que embora na reserva chegou a ser consultado sobre a compra dos aviões por seus colegas de farda, relativizou a questão do preço. “O preço se dilui no tempo”, disse. Segundo ele, mais importante que o preço é o pós-venda e a garantia de transferência tecnológica. Acrescentou que a França já tem uma tradição de 30 anos de cumprir esses dois itens com o Brasil.
O ex-ministro da Aeronáutica confirmou que o caça americano sofre o risco de restrições de transferência tecnológica pelo Congresso dos Estados Unidos e confessou sua preferência pelo avião sueco, “por estar em fase de projeto e poder ajudar no desenvolvimento da indústria brasileira”. Mas como o Gripen terá motor e outras peças norte-americanas, os EUA também poderão vetar a transferência tecnológica dessas partes do avião.
Mauro Gandra negou que o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Sato, tenha ficado “desolado” com a opção pelo caça francês, conforme informou a reportagem. “Ainda não conversei com ele, mas como piloto de caça o brigadeiro Sato deve estar muito feliz”, disse.
Embora tenha deixado o governo depois do envolvimento do seu nome com um diretor da Reython, empresa que ganhou a concorrência para o Projeto Sivam (Sistema Integrado para a Segurança da Amazônia), as declarações do brigadeiro Mauro Gandra chegam em boa hora.
Proferidas por um ministro da Aeronáutica do governo FHC, são muito importantes neste momento para dissipar intrigas de uma crise militar fabricada pelo PSDB em torno da opção do presidente Lula pelo caça francês. Até porque, pela Constituição brasileira, a decisão sobre a aquisição desse tipo de equipamento é competência exclusiva do presidente da República.
Geraldo Seabra

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