Serra reclama da inércia do PSDB na formação de palanques

O governador José Serra (SP), pré-candidato do PSDB à Presidência da República, anda reclamando da inércia da cúpula partidária que não consegue montar palanques para manter competitiva sua campanha. Esta semana, o governador acusou a direção do PSDB de estar negligenciando a formação dos palanques e apontou o Ceará e o Amazonas, Estados de estrelas do partido mas onde os tucanos não têm candidatos aos governos locais.
A reação do governador é sinal do nervosismo que se abateu sobre sua pré-candidatura depois da divulgação, na segunda-feira, 01/02, da pesquisa CNT/Sensus que apontou empate técnico entre o candidato tucano e a ministra Dilma Roussef, pré-candidata do PT. Na pesquisa, enquanto Serra cresceu apenas, 1,4%, Dilma avançou 6,1%, o que deixou os dois pré-candidatos empatados na faixa de 30% dos votos.
A preocupação de Serra é maior com o Ceará, onde o ex-presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati, recuou no lançamento da sua candidatura ao governo do Estado para não enfrentar o governador Cid Gomes (PSB), candidato a reeleição. Cid é irmão do deputado Ciro Gomes (PSB), principal desafeto do governador paulista e pré-candidato à cadeira do presidente Luiz Inácio Lila da Silva pelo seu partido.
Defensor da candidatura do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que em dezembro desistiu de continuar disputando com Serra a indicação do PSDB para concorrer ao Palácio do Planalto, Jereissati (que na foto aparece entre os senadores Sérgio Guerra e Arthur Virgílio Neto) é padrinho político dos irmãos Gomes e por isso não estaria disposto a criar facilidades para o governador paulista em seu Estado.
No Amazonas a situação é parecida. O principal nome do PSDB no Estado, o senador Arthur Virgílio Neto, líder dos tucanos no Senado, prefere tentar a reeleição a se submeter a uma nova derrota em sua tentativa de chegar ao Palácio Rio Negro. Nas eleições de 2006, quando o governador Eduardo Braga foi eleito no primeiro turno, com 50,6% dos votos, Virgílio amargou uma terceira posição com apenas 5,5% dos votos.
Além da falta de iniciativa, Serra também reclamou esta semana da desorganização e da falta de comando do PSDB, que não consegue “por ordem na casaâ€. Nesse caso, o pré-candidato dos tucanos estaria se referindo às situações do Rio Grande do Sul e do Paraná, onde a insistência da governadora Yeda Crusius (RS), em disputar a reeleição, e do prefeito de Curitiba Beto Richa em se candidatar ao governo do Estado tem dificultado acordos com outros partidos.
O governador de São Paulo acha que se Yeda Crusius – que enfrentou problemas de improbidade administrativa e denúncias de corrupção – desistisse logo da reeleição o PSDB poderia fechar um acordo com a ala dissidente do PMDB. No Paraná, Serra espera um recuo de Beto Richa em favor do senador Osmar Dias (PDT), com quem os tucanos também poderiam se coligar. Osmar é irmão do também senador Ãlvaro Dias, vice-líder do PSDB no Senado.
Geraldo Seabra

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