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CBF lava as mãos para a derrota do Brasil na copa

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Enquanto Diego Maradona era confirmado no comando da Seleção Argentina após a desclassificação perante a Alemanha, por acachapante placar de 4 a zero, aqui no Brasil a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) demitiu Dunga e toda a comissão técnica da Seleção Brasileira de forma humilhante, como se somente técnico e jogadores fossem os responsáveis pelo nosso naufrágio diante da Holanda.

A diferença de atitudes entre a federação argentina e a CBF dá bem a idéia do descaso no comando do futebol brasileiro. Ricardo Teixeira lava as mãos e faz de conta que nada tem a ver com isso. Devia renunciar à presidência da CBF antes que qualquer jogador ou membro da comissão técnica fosse responsabilizado pelo fracasso da seleção. Afinal, foi dele a escolha de Dunga, a quem deu carta branca para formar o seu time.

Ricardo Teixeira tem também responsabilidade pela animosidade com que técnico e jogadores foram recebidos em seu regresso ao Brasil. A reação dos torcedores foi alimentada pelos meios de comunicação afagados pelo presidente da CBF, insatisfeito com a atitude de Dunga de negar privilégio à Rede Globo de Televisão – que o próprio Teixeira havia concedido – na cobertura dos treinos da seleção.

Na recepção aos jogadores, outro diferencial dos argentinos em relação aos brasileiros. Apesar da derrota de 4 a zero para a Alemanha, a Argentina recebeu Maradona e seus jogadores como heróis com manifestações consagradoras próximas a se eles tivessem vencido a copa. Claro que lá, ao contrário do que ocorreu aqui, a imprensa portenha não procurou substituir o técnico na convocação e escalação do time.

Na escolha de Dunga para técnico da Seleção Brasileira de Futebol, a CBF preteriu nomes consagrados do futebol brasileiro, a começar pelo comandante do penta, Luiz Felipe Scollari, que após o fracasso de duas copas seguidas volta a ser cogitado para o comando da seleção. Ao indicar um aprendiz de feiticeiro para um cargo que exige acima de tudo muita experiência, a CBF virou o feitiço contra si e levou o Brasil a perder uma rara oportunidade de conquistar o hexacampeonato.

A oportunidade tornou-se rara dada à baixa qualidade técnica que os selecionados concorrentes apresentaram a esta copa da África do Sul apresentaram. A mediocridade se estendeu também à Seleção Brasileira, que não levou para o continente africano um time à altura do nosso vitorioso futebol de cinco copas.

Pura responsabilidade de Ricardo Teixeira, que entre tantos técnicos consagrados do futebol brasileiro preferiu socorrer-se de um ex-jogador mediano, que nunca passara pela experiência de comandar sequer um time de várzea, para a difícil missão de encarar uma copa do mundo com a responsabilidade de estar à frente da mais respeitada seleção do mundo. Dunga não teve culpa, foi além das suas possibilidades.

Se alguém devia sair é Ricardo Teixeira, no cargo por ser genro de João Havelange, como se a Seleção Brasileira fosse uma capitania hereditária. Sua presença no comando do futebol brasileiro não é uma ameaça apenas para a seleção, mas para a própria Copa do Mundo de 2014 que terá por sede o Brasil. A exemplo do que fez agora, o velho cartola certamente voltará a lavar as mãos diante de outro fracasso do futebol brasileiro.

Geraldo Seabra

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