PSDB ensaia dobradinha Serra-Aécio para 2010
O PSDB aproveitou o programa de rádio e televisão que levou ao ar gratuitamente na última quinta-feira (03/11) para, experimentalmente, colocar em campo seu time mais poderoso para o confronto da eleição presidencial de 2010: uma dobradinha com os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG).
Uma pesquisa será encomendada para avaliar junto aos eleitores como a dobradinha foi recebida.
Obedecendo às respectivas posições nas pesquisas de intenção de votos, Serra foi o primeiro dos dois pré-candidatos a aparecer na tela, logo após uma apresentação feita pelo presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE). Depois, os dois se sucederam no programa, com uma orquestrada troca de elogios.
Serra disse que Aécio governa Minas há sete anos “com trabalho, grande competência e muita qualidade”. O governador mineiro devolve o afago com uma pergunta: “Quem não se lembra do extraordinário trabalho do então ministro José Serra com a criação dos genéricos e da política de combate à AIDS?”
Esta foi a solução que os tucanos encontraram para dar uma aparência de paz entre os dois pré-candidatos do partido à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E uma forma de mostrar ao DEM que diante do escândalo protagonizado pelo governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, flagrado num esquema de propinas, a opção do PSDB deve ser por uma chapa puro-sangue.
O desejo do DEM sempre foi o de compor a chapa dos tucanos com a candidatura a vice-presidente, e até certo ponto já estava acertada que a vaga seria do líder democrata no Senado, o senador potiguar José Agripino Maia. Ao longo dos últimos anos ele sobrepôs-se a Arruda, que sempre se insinuou para o cargo. Mas com o seu naufrágio, aparentemente Arruda levou junto a companhia do DEM na chapa tucana.
Pela ordem com que Serra e Aécio entraram em cena no programa do PSDB, tudo indica que os tucanos querem mesmo fazer do governador paulista o cabeça da chapa, cabendo ao seu colega de Minas Gerais o lugar de vice-presidente. Aécio deverá ser convencido de que esta é a melhor solução para ele e para o partido.
Como já lembramos neste blog, a fórmula tucana reedita a velha política café-com-leite do início do período republicano brasileiro, quando São Paulo e Minas Gerais se revezavam na Presidência da República. Historicamente, os mineiros que ocuparam a chefia da Nação passaram, antes, pela Vice-Presidência.
Além de liderar as pesquisas de intenção de voto, Serra tem a seu favor o fato de já ter disputado uma eleição presidencial, enquanto o avanço da idade lhe tira a possibilidade de aguardar o próximo pleito. Já Aécio tem toda a juventude a seu favor para esperar uma nova oportunidade para concorrer à Presidência. De certa forma, o programa pretendeu apontar a possibilidade dessa seqüência.
Durante o programa, numa prova de que os tucanos escolheram mal o discurso dos seus pré-candidatos, o governador José Serra faz propaganda do Anel Viário de São Paulo, de cuja obra desabou no mês passado um conjunto de viadutos sobre a sua candidatura.
Em outras passagens, repisam a paternidade do Bolsa Família e a criação dos genéricos. No primeiro caso, os beneficiários sabem avaliar melhor quem realmente criou o programa. Quanto aos genéricos, Serra já se valeu desses fármacos na primeira vez que foi candidato, mas sucumbiu à demissão em massa que promoveu dos agentes de saúde em meio a uma epidemia de dengue. Esta é, na verdade, a recordação mais marcante de sua passagem pelo Ministério da Saúde.
A falta de um discurso consistente, portanto, foi a marca do programa dos tucanos. As promessas de criar empregos, de trazer o desenvolvimento de volta, de produzir mais energia, de aumentar salários e aposentadorias, caem no vazio à medida que tudo isso já está acontecendo e soam como palavras meramente eleitoreiras.
Na hora do voto, o eleitor vai preferir optar pela continuidade de uma realidade a embarcar na aventura de promessas de campanha. Não bastará uma chapa forte para persuadi-los do contrário.
Geraldo Seabra

Comentários
Tell us what do you think.
Não há comentários sobre esta entrada.