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Serra promete dobrar no país o que reduziu em São Paulo

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Com o início da campanha eleitoral foi oficialmente aberta a temporada de promessas dos candidatos. Quem deu a largada foi o candidato da coligação PSDB-DEM-PPS, José Serra, que prometeu com todas as letras que se eleito vai dobrar o número de beneficiários do programa Bolsa Família. Hoje, o programa 12,6 milhões de famílias e Serra quer levá-lo a pelo menos mais 15 milhões de famílias que segundo ele vivem abaixo da linha da miséria no Brasil.

Os dados de Serra certamente estão desatualizados. Esse número batia com os potenciais candidatos à assistência do programa no início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quase oito anos atrás. E chegou a ser efetivamente coberto pelo Bolsa Família, mas foi reduzido com a emancipação de famílias que deixaram de precisar da ajuda governamental em função de sua ascensão social advinda da forte expansão de empregos no país.

O brasileiro é orgulhoso e dispensa ajuda se tiver condições de prover o seu sustento. Luiz Gonzaga já cantava em “Vozes da seca” essa realidade: “Seu doutor o nordestino/sente muita gratidão/pelo auxílio do sulista/nesta seca do sertão. Mas doutor uma esmola/a um homem que é são/ ou lhe mata de vergonha/ou vicia o cidadão”.

A redução do número de famílias atendidas pelo Bolsa Família é uma prova de que as famílias que viviam abaixo do nível da pobreza não estão enveredando pelo caminho do vício, mas superando suas dificuldades com a abertura do mercado de trabalho ou com a colheita da agricultura familiar, que hoje conta com o apoio do governo para o cultivo e a comercialização de suas safras.

O que mais impressiona é a desfaçatez do candidato José Serra, ao prometer impulsionar o principal programa de transferência de renda do país depois de ter reduzido, quando governador de São Paulo, os programas de transferência de renda do estado.

De acordo com reportagem da Folha de S. Paulo do dia 8 de maio deste ano, assinada por Gustavo Patu, “depois de terem merecido uma duplicação de verbas no ano eleitoral de 2006, os principais programas sociais de transferência de renda mantidos pelo governo paulista encolheram ao longo da administração do tucano José Serra.”

Segundo a reportagem, espécie de Bolsa Família local, o Renda Cidadã gastará menos com o pagamento de benefícios em 2010 do que há quatro anos, apesar de nova ampliação promovida em março – dias antes de Serra deixar o Palácio dos Bandeirantes com o objetivo de concorrer ao Planalto.

O orçamento atual do Ação Jovem, diz a Folha, voltado para estudantes pobres de 15 a 24 anos, também é inferior ao do final do mandato de Geraldo Alckmin, que, como seu sucessor faz agora, tentava na época seu vôo presidencial pelo PSDB.

Juntos, segundo o jornal, os dois programas respondem hoje por cerca de 80% das despesas estaduais com transferências diretas de renda, classificadas na contabilidade oficial como “auxílios a pessoas físicas”, que caí­ram, de 2006 para 2009, de R$ 279,5 milhões para R$ 198,9 milhões. Considerada a inflação, a queda chega a 38%.

Atentem para o detalhe da reportagem de que os investimentos nos programas sociais do governo do PSDB em São Paulo foram reduzidos “depois de terem merecido uma duplicação de verbas no ano eleitoral de 2006”. Ou seja, Serra promete ampliar hoje o que certamente vai cortar depois. Exatamente como fez quando estava à frente do governo do estado de São Paulo.

Geraldo Seabra

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