Privatização esconde problemas dos trens
Os tumultos ocorridos nesta quarta-feira (7/out) no sistema de trens que liga a Baixada Fluminense ao centro do Rio de Janeiro são uma prova inequívoca do acerto do Comitê Olímpico Internacional ao escolher a cidade para sede das Olimpíadas de 2016.
O setor de transportes, como se sabe, se constituirá em uma das prioridades das obras que serão realizadas na cidade para sediar os Jogos Olímpicos. É a oportunidade da população carioca de passar a contar com um sistema de transporte mais eficiente.
O descaso como setor de transporte ferroviário do Rio de janeiro é histórico. Houve uma promessa de melhora durante a onda das privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso. Foi um engodo, do qual a população até hoje é vítima.
A privatização promovida por FHC ocorreu em 1998, quando o sistema passou a ser explorado pela Supervia. Mas em nada aliviou o desconforto dos passageiros que saem da cama de madrugada para se espremer em vagões como sardinhas enlatadas.
Não bastasse o desconforto, agravado com o fato de que só 20% dos vagões são equipados com ar condicionado, os passageiros ainda são submetidos ao deboche da concessionária ao manter uma regularidade no atraso dos trens e não restituir os bilhetes quando os serviços são interrompidos.
Esse foi o motivo da explosão de ontem, quando um trem enguiçou próximo à estação de Nilópolis e os passageiros foram abandonados ao Deus dará.
Dezenas de usuários se revoltaram ao saber que não teriam o dinheiro da passagem devolvido. Reagiram invadindo a linha férrea e interrompendo a circulação de trens do ramal de Japeri. A bilheteria da estação foi depredada, roletas foram quebradas. Um cofre foi jogado sobre a linha férrea.
Preocupadas em proteger o patrimônio da empresa, as autoridades deslocaram tropas da Polícia Militar para a estação. Nenhum comentário sobre a restituição dos bilhetes, comprados pelos trabalhadores para se deslocarem ao trabalho numa viagem que vira um calvário desde o momento em que entram em um vagão da Supervia.
A Prefeitura de Nova Iguaçu informou que vai ingressar na justiça com uma ação civil pública contra a Supervia, nesta sexta-feira. O prefeito Lindberg Farias classificou como “inaceitável†o serviço que é oferecido pela concessionária aos trabalhadores da Baixada Fluminense e dos subúrbios do Rio, onde os problemas são freqüentes.
Mas a população não agüenta esperar sete anos até que cheguem as melhorias que virão com as Olimpíadas. Desde já é preciso que as autoridades exijam da concessionária a prestação de um serviço decente, com maior oferta de trens e cumprimento dos horários.
Se isso não for feito imediatamente, novas explosões sociais vão acontecer. E certamente com reflexos negativos para a imagem do Rio de Janeiro, que mais do que nunca está sob os olhos do mundo.

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