Fortalecido, Temer vai buscar a unidade do PMDB

Reconduzido à presidência do PMDB na convenção nacional realizada no último sábado por 75% dos votos dos convencionais, o deputado Michel Temer (SP), que saiu do encontro com sua candidatura a vice-presidente da República fortalecida, vai tentar conversar com os dissidentes do partido para que o PMDB marche unido para as eleições presidenciais deste ano.
Atualmente o partido está dividido em três alas, sendo majoritária a de Temer que defende uma aliança do PMDB com a candidatura da ministra Dilma Roussef (PT), cabendo aos peemedebistas a indicação do candidato a vice. Outra ala defende candidatura própria do PMDB e uma terceira, minoritária, quer desembarcar na candidatura do governador de São Paulo, José Serra, do PSDB.
Embora seja o principal vencedor da convenção do último sábado, Temer quer agora conversar – ouvir e dar voz – a essas alas do partido para que sejam debatidas as propostas das três tendências do partido. Por isso, ele teve o cuidado de não atrelar sua vitória à pretensão de ser companheiro de chapa da ministra Dilma Roussef, jogando a questão da vice para uma decisão futura do partido.
Temer deverá conversar inicialmente com a ala do partido favorável ao lançamento de uma candidatura própria. Ele sabe da inviabilidade dessa proposta, até porque o pleito já está polarizado entre o PT e o PSDB e pelo fato de o PMDB, embora seja o maior partido e o mais organizado em todo o país, não tem nenhum nome com popularidade e que seja denominador comum para unir suas tendências.
Mesmo assim, Temer está disposto a conversar com o governador do Paraná, Roberto Requião, auto-proclamado candidato do PMDB à Presidência da República. Requião diz ter o apoio de 15 diretórios regionais do partido, o que não bate com os cerca de 80% de convencionais presentes à convenção de sábado e que reconduziram Temer à presidência do partido defendendo sua candidatura a vice-presidente.
A ala com a qual Temer terá mais dificuldade para conversar é a que defende uma aliança do partido com o PSDB, o DEM e o PPS em torno da candidatura do governador José Serra. Ela é integrada pelos senadores Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS), além do presidente do diretório regional do partido em São Paulo, Orestes Quércia. Foram eles que patrocinaram as ações na Justiça para anular a convenção em que Michel Temer foi reeleito presidente do partido.
Pragmático, o PMDB é um partido que tem suas ações historicamente tomadas com base na relação custo/benefício. O partido sempre vai pender para o lado que for mais vantajoso, ou seja, no que poderá lhe render maior parcela de poder. Com uma boa fatia no atual governo, onde comanda seis ministérios (Minas e Energia, Saúde, Integração Nacional, Comunicações e Defesa) o partido certamente vai contar até dez antes de tomar uma decisão de deixar o governo Lula – e por extensão da candidatura da ministra Dilma Roussef – para embarcar numa nau sem rumo.
Geraldo Seabra

Comentários
Tell us what do you think.
Não há comentários sobre esta entrada.