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Tucanos rejeitam rumo que FHC quer dar à campanha

FHC_críticas

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) já devia ter apreendido. Em tempos de eleições, melhor faria arranjando uma viagem ao exterior do que ficar por aqui passando pelo constrangimento de ser rejeitado pelos seus correligionários e ver-se obrigado a fazer mil peripécias para que seja notado.

Como fez no último domingo, e repetiu na segunda-feira, primeiro em artigo num jornalão paulista e depois em declarações à imprensa tentando empolgar uma candidatura que não é sua e, pior ainda, procurando dar a ela um rumo que nem o candidato e muito menos o seu partido deseja.

No domingo, o jornal O Estado de S. Paulo, publicou o artigo de FHC no qual ataca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dizendo que ele tem “impulsos toscos” e que “enuncia inverdades”, ao comparar o seu governo com o dele. Na segunda-feira, FHC passou pelo desconforto de um desencontro provocado pelo governador José Serra, que se atrasou para a solenidade em que estariam juntos.

O desencontro teria sido proposital devido ao desconforto não somente de Serra, mas de todo o comando do tucanato com o artigo de Fernando Henrique intitulado “Sem medo do passado”. Ao fazer a defesa do seu governo e dizer não temer uma comparação com o de Lula, FHC acabou fazendo tudo o que os tucanos não querem.

Na solenidade em que ocorreu o desencontro, a inauguração da Biblioteca do Carandiru, marcada para o meio dia, FHC chegou pontualmente, mas não suportou o atraso de duas horas do governador. Saiu antes do corte da fita, mas em tempo de novamente fazer a defesa da candidatura de Serra. Desta vez atacando a ministra Dilma Roussef, a quem acusou de não ter liderança e ser o reflexo de Lula.

O esforço do ex-presidente em defender Serra tem o objetivo de buscar a reciprocidade. Explico melhor: FHC defende Serra na vã esperança de que o governador paulista venha a defender os seus dois governos das comparações que o PT se propõe fazer na campanha eleitoral, com os dois de Lula.

Na primeira vez em que foi candidato, em 2002, quando perdeu para Lula, Serra saiu pela tangente e correu do governo FHC – do qual havia sido ministro em duas pastas, no Planejamento e da Saúde – como o diabo corre da cruz. Aliás, o lema de Serra era que o seu governo seria o “da mudança”. Mudança em relação ao governo anterior, exatamente o de Fernando Henrique, que Lula também pregava.

Quando Lula foi reeleito, o candidato de FHC, ou do seu partido, foi o ex-governador Geraldo Alckmin. Como Serra havia feito quatro anos antes, Alckmin também se negou a fazer a defesa do governo do ex-presidente que era atacado e comparado – como ocorre hoje – por Lula. Alckmin tinha tanta vergonha de falar sobre o que FHC tinha feito que passou a defender as empresas estatais.

Se Serra não defendeu da primeira vez que foi candidato, se Alckmin seguiu seu caminho, por que então FHC teria seu governo defendido agora na segunda candidatura de Serra, exatamente quando as diferenças entre o que fez e as realizações do governo Lula são ainda mais profundas? Não que não tenha o que ser defendido, mas o saldo é muito mais negativo do que positivo. Daí­ a dificuldade.

A serviço da candidatura Serra, esta é a segunda vez que FHC usa seus artigos para atacar Lula. A primeira foi no ano passado, em novembro, quando disse que o que dava certo no atual governo era copiado do dele. Como da primeira vez, o máximo que conseguiu foi uma rápida repercussão na imprensa e um debate no Senado, como ocorreu na tarde hoje quando o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) levou o texto de FHC à tribuna, como fizera em novembro o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).

O problema é o conteúdo dos artigos do ex-presidente. Eles só falam de ataques rasteiros, destoando da sua qualidade de intelectual de que tanto se orgulha. E isso baixa o nível do debate no Senado, que já não anda lá essas coisas. Como hoje, quando o debate ficou em torno de se a ministra Dilma é ou não uma líder.

A sugestão é para da próxima vez que ocupar as páginas dos jornais, Fernando Henrique ofereça ao país e ao seu partido, em vez de xingamentos, uma proposta de governo, que o PSDB ainda não tem, e com isso contribua para elevar o debate. Mas que seja sobre o futuro, pois dos seus governos passados nem seus correligionários querem ouvir falar.

Geraldo Seabra

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Comentários

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  1. Jurandyr de Oliveira says: 9 de fevereiro de 2010

    Quem te disse? O Franklin Martins?

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