As preocupações de Jereissati com a Copa
Dono da maior fortuna do Ceará e seguramente um dos homens mais ricos do país, o senador Tasso Jereissati (PSDB) permitiu-se esta semana aflorar o seu lado social ao criticar os investimentos previstos para a realização no Brasil da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, “sem um tostão para educação ou saúdeâ€.
“A euforia que o país parece estar vivenciando com a superação da crise financeira internacional, a Copa do Mundo e as Olimpíadas, esconde um enorme problema social com a completa falta de prioridade para os investimentos necessários nas áreas de educação, saúde e saneamento básicoâ€, atacou o senador tucano.
Não existe nada mais suspeito do que essa repentina preocupação de Jereissati com o quadro social brasileiro. Em seu discurso, ele reconheceu que o país está indo bem no campo econômico, mas no social está indo muito mal, repetindo o que já dissera durante a ditadura o presidente Emílo Médici: “A economia vai bem, mas o povo vai malâ€.
Jereissati disse ainda que a consequência natural desse quadro é o agravamento da concentração de renda. O senador salientou que a história ensina que nenhum país do mundo conseguiu superar dificuldades priorizando investimentos em áreas que não tenham repercussão imediata do ponto de vista social.
De concentração de renda ele entende muito bem. Em seu Estado, dizem que Jereissati é dono de metade do Ceará. A outra metade pertenceria à sua esposa. Na praia do Futuro, em Fortaleza, da mansão que possui no alto das dunas, rodeada por miseráveis mucambos, pode-se ver um bom recorte da perversa distribuição de renda no Brasil.
São mucambos sem água e luz, ou a mínima condição de saneamento, cuja falta o senador reclamou em seu discurso. Nesses casebres, como em tantos outros em Fortaleza e em todo o Ceará, vivem adultos sem trabalho e crianças que nunca tiveram acesso à saúde ou à educação pública. Nem durante os três mandatos que o senador Tasso Jereissati teve como governador do Ceará.
Aliás, quando foi governador, Jereissati tem a seu favor um programa de saúde da família que mereceu prêmio das Nações Unidas, por ter sido executado em meio a falta de recursos. Recursos que não faltaram para o aluguel de um avião e um helicóptero, sem licitação, durante seis meses, que custou aos cofres do Ceará R$ 1,2 milhão.
No Senado, Tasso Jereissati gastou R$ 469 mil para o aluguel de jatos executivos, em vez de comprar bilhetes em aviões de carreira, como fazem os outros senadores. O senador tucano tem autonomia de vôo própria, com seu jato Citation, mas diz que quando esse avião está ocupado ele recorre ao aluguel de outras aeronaves.

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