Skip to content

Imprensa falseia análise para desmobilizar militância do PT

Militância_PT

A chamada grande imprensa está tentando convencer setores menos esclarecidos do PT e da sociedade de que a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que o partido priorize a conquista da Presidência da República, deixando aos partidos aliados a disputa pelos governos estaduais onde são mais competitivos, levará o PT a perder espaços duramente conquistados.

Isso não passa de uma falsa análise não apenas do quadro eleitoral, mas também de como funcionam a Federação e o presidencialismo brasileiros. A estratégia tem por único objetivo desmobilizar a militância do PT onde o partido não terá candidato a governador e com isso facilitar a vida do candidato do PSDB, José Serra, na disputa com Dilma Rousseff.

O caso mais emblemático é em Minas Gerais, onde o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel cedeu a cabeça da chapa para disputar o governo estadual ao ex-ministro das Comunicações, Hélio Costa, do PMDB. Enquanto Costa disputará o governo, Pimentel disputará o Senado e o ex-ministro Patrus Ananias deve ser candidato a vice-governador.

Caso Hélio Costa vença a eleição, levará com ele como primeiro na linha sucessória do governo mineiro o ex-ministro do Desenvolvimento Social. E como uma coisa puxa a outra, também são grandes as chances de Fernando Pimentel conquistar uma das duas cadeiras em disputa para o Senado, considerando que a outra deve ficar para o ex-governador Aécio Neves (PSDB).

Além de ficar com dois dos três cargos majoritários em caso de vitória da chapa a base aliada, o PT ainda terá tanto em Fernando Pimentel quanto em Patrus Ananias fortes candidatos à Prefeitura de Belo Horizonte, daqui a dois anos. Os dois já governaram a capital mineira e tiveram suas administrações muito bem avaliadas, o que facilita a volta de qualquer deles ao cargo.

Voltando ao argumento da grande imprensa de que essa fórmula levaria o PT “a perder espaços duramente conquistados”, em caso de vitória da chapa liderada por Hélio Costa ocorreria o oposto. O partido ganharia muito mais espaço do que jamais teve em Minas Gerais: além da vice-governadoria, ficaria com uma cadeira no Senado.

Outro argumento da grande imprensa, usado nesta quarta-feira pela comentarista Lucia Hippolito, da Rádio CBN, emissora das Organizações Globo, soa a delírio de uma noite de verão. Segundo a comentarista, Hélio Costa correria o risco de ser cristianizado pelo PT, que orientaria sua militância a trabalhar pela vitória do candidato do PSDB, Antonio Anastasia, por que, se reeleito, o atual governador de Minas não poderia disputar o próximo pleito. Neste caso, o PT teria mais chances de apresentar candidatura ao governo daqui a quatro anos, o que não ocorreria em caso de vitoria de Hélio Costa, que em primeiro mandato teria o direito de concorrer à reeleição, em nome da manutenção da atual aliança.

Em sua análise, a comentarista da CBN além de agredir os petistas de Minas Gerais taxando-os de reles traidores por antecedência, não esclareceu seus ouvintes sobre particularidades da nossa Federação nem da força do presidencialismo brasileiro. Não é novidade para ninguém que os Estados brasileiros, do pequenino Amapá ao gigante São Paulo, têm alta dependência do governo federal. O sistema tributário brasileiro é o grande responsável por essa situação, que faz com que a maior parte das receitas do país se concentre nas mãos do governo federal, a quem cabe fazer a partilha.

Como o Orçamento da União é apenas autorizativo, e não impositivo, cabe ao presidente da República decidir onde, em que Estados e em quais projetos os recursos serão aplicados. Isso faz com que todos os governadores, não importa o tamanho do seu Estado, tenham que recorrer ao presidente da República para ajudá-los a governar. Em São Paulo, Serra não teria feito a metade do que fez se não tivesse recebido ajuda de Lula. O Rodoanel que o diga.

Essa competência do presidente da República de decidir onde aplicar o dinheiro do contribuinte dá a ele um poder imensurável no Estado brasileiro. A dependência financeira dos Estados em relação ao governo federal estende a mão forte do presidente a cada uma das 28 unidades da Federação, que ele governa estando ou não no governo local. Quem não se lembra dos rasgados elogios que Aécio Neves fazia a Lula enquanto foi governador de Minas?

Com a chave do cofre na mão, o presidente fez o Bolsa Família, o Programa Luz para Todos, destinou recursos para regiões que não costumavam ver a cor do dinheiro de Brasília, como o Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste, fez o maior programa de agricultura familiar do mundo, estimulou a economia para gerar 7 milhões de empregos fez a maior distribuição de renda e elevou o salário do brasileiro a patamares nunca vistos na história do país.

Tudo isso só foi possível fazer porque o PT tinha a Presidência da República. Só poderá continuar sendo feito, se o partido continuar ocupando o Palácio do Planalto. Não que os governos estaduais não tenham sua importância, mas na Presidência, como ficou provado, o partido pode mais. Não foi à toa que Lula priorizou a conquista da Presidência, ainda que isso custe declinar do governo de alguns Estados.

Geraldo Seabra

Share Our Posts

Share this post through social bookmarks.

  • Delicious
  • Digg
  • Newsvine
  • RSS
  • StumbleUpon
  • Technorati

Comentários

Tell us what do you think.

  1. Bruna Rosa says: 14 de junho de 2010

    Geraldo tenho acompanhado seu blog. E gostaria de parabenizá-lo pelo excelente conteúdo. Matérias muito bem escritas, expondo sempre o outro lado da notícia. Você vem quebrando paradigmas, e esclarecendo detalhes da política brasileira de forma genial.

Adicionar Comentário

Preencha o formulário e envie..

*