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OAB-DF manobra a favor de Arruda e critica intervenção

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Enquanto a OAB nacional mantém um posicionamento exemplar em relação ao esclarecimento e a punição dos culpados no esquema de corrupção comandado pelo governador Jose Roberto Arruda (sem partido), a seção da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal caminha em direção oposta manobrando para que até fora do governo Arruda continue dando as cartas no DF.

Isso só ocorrerá na hipótese de a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovar o impeachment do vice-governador Paulo Octávio, que se tornou inimigo de Arruda e é hoje o principal alvo do grupo político do governador.

Com o afastamento de Arruda e com Paulo Octávio impedido, pela linha sucessória quem assumiria o governo seria o presidente da Câmara Legislativa, deputado Wilson Lima (PR), do grupo político do governador, e completaria o mandato de Arruda.

É por aí­ que se explica o fato do presidente da OAB-DF, Francisco Caputo, que até sua posse em janeiro advogava para Arruda, ter protocolado hoje na Câmara Legislativa do Distrito Federal um pedido de impeachment do vice-governador Paulo Octávio. Nem precisava, porque outros pedidos já foram protocolados, mas a chancela da OAB-DF aparentemente daria um ar de neutralidade.

Embora Paulo Octávio não apareça nos vídeos divulgados sobre o esquema de pagamento de propinas a autoridades do governo local, como ocorreu com Arruda, Caputo alega que o governador em exercício não tem condições de permanecer no cargo, pois foi citado várias vezes como beneficiário pelo ex-secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal Durval Barbosa, autor das denúncias.

Paralelamente, o presidente da OAB-DF está fazendo uma campanha contra a intervenção federal no Distrito Federal, solicitada ontem pelo procurador geral da República junto ao Supremo Tribunal Federal. Com a intervenção, os dois lados em disputa ficariam afastados do governo do DF – e dos seus cofres, claro.

Caputo considera a intervenção uma “medida drástica” para a capital federal. “Será outra apunhalada na população de Brasília. Não merecemos isso”, disse, acrescentando que os motivos apresentados pela Procuradoria não justificam a intervenção. “Queremos crer que não estão presentes nenhuma das hipóteses que a Constituição elenca para justificar a intervenção.”

Talvez ele ache poucos os motivos apresentados pelo procurador-geral Roberto Gurgel que defendeu a intervenção porque o comando do governador José Roberto Arruda uma quadrilha se encastelou no governo do Distrito Federal para apoderar-se de recursos públicos provenientes não apenas dos contribuintes de Brasília, mas de todo o pais.

Aqui o procurador se referia às transferências da União para o Distrito Federal. É o governo federal que mantém as secretarias de Educação, de Saúde e de Segurança Pública do DF. Curiosamente, nas duas primeiras secretarias foi comprovado um grande esquema de recolhimento de propinas por meio de compras superfaturadas.

Embora ainda se falem socialmente, Arruda e PO, como é conhecido o vice-governador nos meios políticos de Brasília, há muito não se entendem. Em dezembro quase chegaram às vias de fato ao final de uma discussão na residência oficial do governador sobre quem estava mais envolvido no escândalo.

O maior temor de Arruda é entregar o governo ao seu vice. Os dois passaram a se estranhar depois que Arruda roeu a corda de um acordo entre eles, para neste ano o governador renunciar em favor do vice, que se candidataria à reeleição. Ainda pelo acordo, Arruda, que era do DEM, disputaria uma vaga para o Senado ou seria candidato a vice-presidente na chapa do governador José Serra (PSDB).

Geraldo Seabra

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