Skip to content

Álvaro Dias, quem diria, acabou no baixo clero

adias_2

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) já foi tudo em sua vida política: combatente deputado do Grupo Autêntico do MDB, senador da República por três vezes, governador do Paraná e, ainda que por poucas horas, candidato a vice-presidente da República na chapa do tucano José Serra.

Seu currículo tem registros importantes, como a expulsão do PSDB. Isso mesmo, Dias foi destituído de sua multicolorida plumagem quando resolveu bancar a instalação de uma CPI (comissão parlamentar de inquérito) para apurar a corrupção que grassava no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Coisa do tipo privatização das empresas estatais ou a compra de votos de parlamentares para viabilizar a emenda da reeleição que daria um segundo mandato a FHC. A punição levou o senador paranaense a viajar por outras siglas, e chegou a dividir com a ex-ministra Dilma Rousseff o PDT de Leonel Brizola.

Nessa fase de sua carreira política Dias chegou a voltar-se para o apoio ao presidente Lula. Voltaria à oposição ao ser preterido em seu pleito para ocupar o estratégico cargo de embaixador do Brasil na Espanha. Coisas da política, mas o Itamaraty prefere dar à embaixada de Madri um caráter profissional e só manda para lá diplomatas de carreira.

De volta ao PSDB, o senador Álvaro Dias optou por seguir pelo caminho da perdição. Volta e meia aparece no plenário com uma denúncia vazia, a alimentar fantasmas de supostos dossiês. Ou, tal Madalena arrependida, cai de pau em cima de sua antiga companheira de partido a desferir-lhe golpes abaixo da linha da cintura, como a lhe cobrar antigas rusgas ou ressentimentos perdidos no tempo.

Na tarde desta quarta-feira, Dias defrontou-se com outro fantasma que criou e no qual passou a acreditar piamente. Seria a censura à imprensa no Brasil, que, justiça lhe faça, ele combateu bravamente nos anos de chumbo da ditadura militar (1964-1985). Mas falar em censura nos dias de hoje pega mal, porque ela simplesmente não existe e as liberdades individuais nunca foram tão respeitadas no país como agora.

É só ver como o presidente Lula sofre de forma irresponsável nas mãos dos jornalões ou dos grandes grupos de comunicação do país. Irresponsável porque o que se publica ou se veicula hoje nos meios de comunicação são verdadeiras calúnias, criam-se fatos e suas respectivas versões, produzem-se também suas repercussões.

O batido exemplo de O Estado de S. Paulo, ao qual Álvaro Dias voltou a recorrer no pronunciamento que fez hoje da tribuna, não vale. O jornal está proibido pelo Poder Judiciário de veicular informações sobre um processo que corre em segredo de justiça. E dizer que isso é censura e, mais ainda, responsabilizar o governo Lula por uma decisão judicial, é fantasia ou sonho de uma noite de verão.

Dias voltou ao assunto do Estadão, e voltou a acusar o governo de censor, a pretexto de criticar uma decisão da diretoria-geral do Senado de suspender a veiculação das sessões plenárias fora do seu horário habitual, com gravações que costumam ir ao ar à noite. Entendeu o diretor-geral do Senado que a prática pode levar a Justiça Eleitoral a acusar a Casa, em função do conteúdo dos discursos, de estar fazendo propaganda política.

A cautela da direção do Senado nada tem a ver com o desejo de “calar os senadores”, como acusou Dias, e passa muito longe de qualquer tipo de censura. Até porque a medida é suprapartidária, e não se dirige especificamente a este ou aquele senador, a este ou aquele partido.

Diferente, por exemplo, do que fazia o seu hoje aliado senador Marco Maciel (DEM-PE) à época em que era presidente da Câmara e Álvaro Dias deputado federal. Qualquer referência a dom Hélder Câmara, então arcebispo de Olinda e Recife, era sumariamente subtraí­da do discurso do parlamentar e não ia ao ar pela Voz do Brasil.

Na tarde de hoje o senador Álvaro Dias assumiu a tribuna na condição de líder do PSDB. Porém, o que ele liderava era meia dúzia de senadores do baixo clero que apresentaram, em apartes, sua solidariedade ao colega paranaense. Além do senador Mão Santa (PSC-PI), que presidia a sessão e desceu ao plenário para se pronunciar, Dias recebeu o apoio de Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC), ACM Júnior (DEM-BA). Quando desceu ao plenário, Mão Santa entregou a presidência dos trabalhos ao senador Acir Gurgacz. Não é fácil!

Geraldo Seabra

Share Our Posts

Share this post through social bookmarks.

  • Delicious
  • Digg
  • Newsvine
  • RSS
  • StumbleUpon
  • Technorati

Comentários

Tell us what do you think.

Não há comentários sobre esta entrada.

Adicionar Comentário

Preencha o formulário e envie..

*