Que bom que o PT vai governar com a eleição de Dilma

O candidato tucano José Serra denunciou que a vitória da ex-ministra Dilma Rousseff nas eleições presidenciais de outubro levará o PT ao poder. “Se Dilma vencer a eleição, quem vai governar é o PTâ€, disparou Serra durante caminhada em Belo Horizonte em companhia dos candidatos do PSDB ao Senado, o ex-governador Aécio Neves, e a governador, Antonio Anastasia, postulante à reeleição.
Na contramão das democracias mais modernas do mundo, Serra disse que deve governar quem vencer a eleição, e não o partido do candidato. “A administração tem que ser feita por aquele que for eleito, por isso está certo de que a população vai procurar fazer a sua própria avaliação a respeito dos candidatosâ€, afirmou o candidato da coligação PSDB/DEM/PPS.
Recentemente, na Inglaterra, o ex-primeiro-ministro Gordon Brown, do Partido Trabalhista, cedeu seu lugar para David Cameron, do Partido Conservador. E quem perdeu a eleição não foi Brown, mas o seu partido, que dividia com ele as responsabilidades de governo, da mesma forma que os conservadores que levaram Cameron ao poder. Nada mais natural.
Para não ficarmos no exemplo de uma democracia parlamentar, vamos para os Estados Unidos, onde na eleição de Barack Obama, no ano passado, houve igualmente a troca de partidos no poder. Saiu o Partido Republicano, de George W. Bush, e entrou o Partido Democrata que literalmente assumiu o poder com todas as suas estrelas (sem nenhuma alusão ao PT) a começar pela ex-primeira dama Hilary Clinton.
E é bom que seja assim. Nas modernas democracias, o partido sobe ao poder junto com o candidato que elegeu. Leva e põe em prática seu programa de governo, divide com o primeiro-ministro ou com o presidente as responsabilidades de governar o país. Se há uma coligação, mais de um partido se juntam ao candidato eleito e colocam em prática um programa de governo suprapartidário.
Exatamente como fez o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos últimos sete anos e meio. Governou com o PT e com os partidos aliados. É só olhar para o seu ministério, multipartidário em todas as fases dos seus dois governos. E que por isso mesmo avançou socialmente, quebrando antigas resistências de setores que entenderam a necessidade de se governar par ao país como um todo.
Com sua eleição prenunciada até mesmo pelo seu principal concorrente, a candidata Dilma Rousseff não deverá fugir a essa regra. Com ele subirão a rampa do Palácio do Planalto não somente o PT, mas também o PMDB do vice-presidente Michel Temer. Aliás, os dois partidos estão escrevendo em conjunto o programa de governo, que deverá ainda receber contribuições, na teoria ou na prática, dos demais partidos coligados.
Com a reforma política que vem por aí, é bom o brasileiro ir se acostumando a pensar mais no partido do que nos candidatos. Aliás, o brasileiro já se acostumou a isso, tanto que apóia as coligações que são submetidas ao sue voto. Quem ainda não se acostumou são certos candidatos, que embora representantes de um partido ou coligação, pretendem decidir solitariamente os destinos do país na eventualidade de um dia chegarem ao poder.
Geraldo Seabra

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