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Roriz pode se beneficiar de qualquer resultado no DF

Filipelli_Roriz

Na liderança da corrida para o Palácio do Buriti, o ex-governador Joaquim Roriz (PSC), em função das articulações que fez, poderá se beneficiar de qualquer resultado das eleições no Distrito Federal, hoje polarizada entre a sua candidatura e a do PT, que tem por candidato o ex-ministro dos Esportes do governo Lula, Agnelo Queiroz (PT). O vice de Agnelo é o deputado federal Tadeu Filipelli (PMDB), ex-secretario de Obras de Roriz e um dos seus mais diletos afilhados.

Além de Filipelli, a chapa de Agnelo Queiroz abriga pelo menos um ex-mensaleiro do escândalo que ficou conhecido como “Mensalão do DEM”, esquema de propina que teria origem no governo anterior de Roriz e que acabou levando à cassação do ex-governador José Roberto Arruda (DEM), outro querido afilhado do ex-governador. Filipelli tem em comum com Arruda uma história de rompimento com Roriz, mas que sempre mantém no poder o grupo do ex-governador (Roriz).

O ex-mensaleiro que está sob o guarda chuva da coligação do PT é Luiz França, candidato a deputado distrital pelo PHS, partido que ingressou na coligação liderada pelo PT e PMDB. França foi filmado recebendo do esquema uma propina de R$ 30 mil. No governo Arruda, ele era o diretor do “Na hora”, um serviço de expedição de documentos que pode servir de trampolim político para quem o dirige.

No pleito de 2006, que levou Arruda ao Buriti, oficialmente ele já estava rompido com Roriz, mas isso não impediu que fosse poupado durante a campanha por seu padrinho político. Roriz havia feito de Arruda seu chefe de gabinete, secretário dos Transportes, construtor do metrô, deputado, senador. O rompimento, portanto, não podia ser para valer, mas coisa para inglês ver.

Arruda, que foi eleito porque Roriz não lhe fez oposição e com isso evitou por pequena margem de votos que a sua candidata oficial, a então governadora Maria de Lourdes Abadia (PSDB), chegasse ao segundo turno, formou seu governo com ex-auxiliares de Roriz. Entre eles estavam o secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, gerente do Mensalão do DEM, e o secretário de Comunicação Social, Wellington Moraes, que acabou indo com Arruda para a cadeia.

Se em caso de vitória de sua chapa Filipelli repetir a fórmula, ainda que como vice-governador, não será mera coincidência. Ao infiltrar em partidos ou coligações antigos aliados, Roriz apenas garante sua perpetuidade no poder do Distrito Federal. No último quarto de século, ele só não deu as cartas na administração de Cristovam Buarque, eleito em chapa puro-sangue do PT. Com o sangue da chapa contaminado por um ex-lugar tenente de Roriz, Agnelo não pode dar a mesma garantia.

Geraldo Seabra

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