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Pancada de Serra bate no peito de Lula

Tivesse o rio São Francisco sua nascente no Estado de São Paulo, o governador José Serra teria integrado a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na viagem de inspeção das obras de transposição das águas daquele que é chamado de rio da união nacional.

Esse foi o critério adotado pelo cerimonial do Palácio do Planalto para incluir na comitiva presidencial o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Como aprendemos nos bancos escolares, é na serra da Canastra, em território mineiro, onde o São Francisco tem suas nascentes.

A transposição é uma obra do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que é gerenciado pela ministra a Casa Civil, Dilma Roussef. Isso justifica sua presença na viagem de inspeção. O deputado Ciro Gomes foi convidado por ter sido ele, quando ministro da Integração Nacional, a dar o pontapé inicial na obra.

Portanto, Lula não pode ser acusado de estar fazendo proselitismo político ou campanha da sua candidata, a ministra Dilma Roussef. Ou não teria incluído na caravana outros dois candidatos, Ciro Gomes e o próprio Aécio Neves, este concorrendo diretamente com Serra à indicação do PSDB para a eleição presidencial de 2010.

A exposição dos candidatos à mídia, particularmente a de Aécio Neves, pode ter incomodado o governador paulista. Essa ponta de ciúme seria a fonte da crítica de Serra à obra da transposição, que segundo o governador não tinha investimentos em irrigação.

A transposição não foi invenção de Lula. A obra foi idealizada ainda no século 19 pelo Imperador Pedro II, depois da grande seca que se abateu sobre o Nordeste de 1877 a 1879. Mais de um século se passou sem que nada fosse feito. Foi preciso um presidente que sentiu na pele os efeitos da seca para tocar a obra.

Por isso o palpite infeliz de Serra mereceu resposta irritada de Lula.

Porque não atingiu o presidente, que está fazendo a obra. A crítica bateu forte no peito do retirante Luiz Inácio da Silva. O mesmo que quando criança cansou de carregar pote d’água na cabeça.

E que depois de atravessar o país em cima de um pau-de-arara foi para no rico Estado de São Paulo, o de Serra, que não conhece o que é seca.

E agora, presidente da República, faz a transposição imaginada por D. Pedro II para que o nordestino de hoje, de amanhã, não passe o que ele passou na sua infância.

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