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Lula não recebe PO e afasta mensalão do DEM do seu caminho

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Disposto a manter distância do mensalão do DEM – esquema de recolhimento e pagamento de propinas comandado pelo governador licenciado José Roberto Arruda (ex-PSDB, ex-DEM e agora sem partido) – o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declinou hoje da audiência solicitada pelo governador em exercício Paulo Octávio, o PO, e sinalizou que só tratará do assunto após decisão da Justiça, evitando repetir o constrangimento que esta foto registra.

PO havia pedido audiência ao presidente Lula na semana passada, depois que assumiu o governo do DF em substituição a José Roberto Arruda, que está preso na Polícia Federal. Ele quer o apoio do presidente para manter a governabilidade do Distrito Federal, já que não consegue o apoio do seu próprio partido – o DEM – que marcou reunião para a próxima semana para pedir a sua expulsão do partido.

O governador em exercício chegou a viajar nesse final de semana a Goiânia, em busca do apoio do senador Demóstenes Torres (DEM) ao seu governo. Mas o senador insistiu que pedirá a sua expulsão do partido, o que poderá levar PO a renunciar ao cargo, conforme ele mesmo admitiu.

Antes mesmo da prisão de Arruda, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ingressou no Supremo Tribunal Federal com um pedido de intervenção no Distrito Federal. Se o Supremo acolher o pedido, caberá ao presidente Lula a indicação do interventor, mas o governo não trabalha com a possibilidade de intervenção porque ela suspenderia a tramitação de todos os projetos de emendas constitucionais.

Ao pedir intervenção, o procurador argumentou que tanto o vice-governador Paulo Octávio quanto o presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Wilson Lima, não tem isenção para governar uma vez que também estão sob investigação no escândalo do mensalão do DEM. Desde que PO assumiu o governo, foram protocolados quatro pedidos de impeachment contra ele na Câmara Legislativa.

A intervenção só será evitada com um grande acordo, que passaria pela aprovação do impeachment de Arruda (que já tramita na Câmara Legislativa) e Paulo Octávio e pela renúncia do deputado distrital Wilson Lima da presidência da Câmara Legislativa. Neste caso, ele seria substituído pelo vice- presidente, deputado Cabo Patrício (PT), que assumiria o governo e completaria o mandato de Arruda.

Embora esteja na linha sucessória, não se cogita a possibilidade do presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal ser empossado como governador. Isso sé seria possível na hipótese da Câmara Legislativa estivesse fechada, ou se seu presidente renunciasse para concorrer a mandato eletivo em outubro.

Geraldo Seabra

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