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Oposição quer surfar na onda de Lula para vencer em 2010

Sergio GuerraA oposição resolveu jogar a toalha e reconhecer que os elevados índices de aprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não comportam críticas. Assim, em vez de atacar Lula nas eleições do próximo ano, PSDB, DEM e PPS optaram por prometer dar continuidade, mas sem continuísmo,* ao que seu governo fez de bom. É aquela velha máxima, se não pode vencer seu adversário, junte-se a ele.

Dar continuidade seria prosseguir ou persistir nos programas bem sucedidos de Lula. Sem continuísmo, seria impedir a eleição de Dilma Roussef, que representaria a manutenção do poder político nas mãos

Este foi o saldo do jantar de confraternização que reuniu na noite de terça-feira, em Brasília, as bancadas dos três partidos no Congresso Nacional. Suas lideranças entenderam que a defesa dos pontos positivos do governo Lula não deve ser privilégio da candidata Dilma Roussef. Acreditam que podem vender ao eleitor a idéia de que são mais competentes para continuar o que Lula iniciou.

Seria cômico, se não fosse trágico. Essa decisão só confirma o que vem sendo dito há muito tempo, que a oposição não tem discurso muito menos proposta para apresentar como alternativa de governo para o país. E como seus líderes rejeitam comparações com o governo de Fernando Henrique, parece também que se envergonham do seu passado ou que não exemplos nos quais se mirar ou se orgulhar.

Se não tiverem cuidado, o candidato do PSDB em 2010 pode acabar melancolicamente como Geraldo Alckimin, que sem poder defender as privatizações do governo Fernando Henrique encerrou sua campanha condenando as vendas das empresas estatais e prometendo manter o controle do estado sobre o Banco do Brasil e a Petrobras. Só que o eleitor não viu sinceridade em seu discurso e votou em Lula. Isso pode se repetir quando Serra ou Aécio sair por aí­ defendendo o Bolsa Família.

O desafio ao qual se propõe a oposição é separar Dilma de Lula. O senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB, reconheceu que o presidente Lula é muito forte, mas ponderou que a campanha da ministra Dilma sempre será dependente dele. Por isso, ele acha que a ministra é, entre todos os postulantes, “a mais vulnerável do ponto de vista de exposição [na mídia]”.

Para o senador, Dilma é Dilma e Lula é Lula. No seu entendimento, enfrentar Dilma é enfrentar uma pessoa “que pode cair em gafes”, numa referência à afirmação da ministra em Copenhague, quando disse que o meio ambiente é uma ameaça ao desenvolvimento sustentável. “Ela tem muito holofote, mas está perdida”, acrescentou.

Guerra acha improvável que isso se repita no próximo ano. Para ele, a campanha de 2010 será muito diferente da de 2006, quando a coligação de Geraldo Alckmin tinha “uma poderosa estrutura política, mas havia uma solidariedade política mínima”. Ele acredita que a campanha, de Serra ou Aécio, não enfrentará a dificuldade de 2006, quando, para os candidatos nos estados, “fazer campanha para presidente significava, muitas vezes, perder sua própria eleição”.

O presidente nacional do PSDB também advertiu que a próxima campanha “será duríssima”. “Existem mensalões espalhados pelo país inteiro. Isso acontece também em vários Estados do Nordeste”, disse, provavelmente com o objetivo de socializar as denúncias de corrupção com formação de caixa dois. Como acusador, e o ônus da prova, cabe ao líder tucano dar nome aos bois.

Seu objetivo foi desviar o foco dos mensalões da oposição: a denúncia aceita pelo Supremo Tribunal Federal contra o senador tucano Eduardo Azeredo (MG), acusado de peculato e lavagem de dinheiro no chamado “mensalão mineiro”; e do “mensalão do DEM”, no qual o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, foi flagrado comandando um festival de distribuição de propinas.

O DEM e o PPS, sócios no mensalão de Brasília, fizeram manifestações de altruísmo, afirmando, embora cobrando do PSDB a definição do candidato, que não cogitam participar da chapa. Coincidência ou não, essa renúncia surge depois que o governador de Minas, Aécio Neves, sugeriu que os tucanos avançassem sobre os partidos da base do governo em busca de novas alianças e até de alternativas de candidatos a vice. Mas o que toma forma cada vez mais é uma chapa puro sangue, liderada pelo governador José Serra tendo o governador mineiro como vice-presidente.

Geraldo Seabra

(*) Continuidade: Prosseguimento ou persistência de um fato, acontecimento ou contexto; Continuísmo: Manutenção do poder político nas mãos das mesmas pessoas ou do mesmo grupo.

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