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PSDB escolhe São Paulo como vitrine de Serra

Governo do Estado

Quem não tem cão, caça com gato. Sem meios de enfrentar comparações entre os oito anos do desastrado governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PSDB elegeu as administrações tucanas dos últimos 15 anos para servir de vitrine para a candidatura presidencial do governador José Serra.

Os tucanos têm lá suas razões para fugir às comparações. Enquanto os dois governos de Lula têm a maior aprovação da história, o segundo governo de FHC foi ao fundo do poço na avaliação da população. Até no item inflação, menina dos olhos dos governos de Fernando Henrique, a reboque do Plano Real criado no governo Itamar Franco, Lula saiu-se melhor. Nesses anos Lula, a inflação registra uma diferença de 37% em relação aos anos FHC.

Daí­ a opção pelas realizações dos governos tucanos em São Paulo, que se sucedem desde que o governador Mário Covas chegou ao Palácio dos Bandeirantes, em janeiro de 1995. Na verdade uma sucessão sentimental, onde Serra e o ex-governador Geraldo Alckmin se valeram da herança política de Covas, em quem o povo paulista, como o povo brasileiro em relação a Tancredo Neves, guardava muitas esperanças.

Nunca é demais lembrar que a reeleição de Covas, num segundo turno muito disputado com o ex-governador Paulo Maluf, só foi possível graças ao apoio do PT, cuja candidata, a ex-prefeita Marta Suplicy, derrotada no primeiro turno, apoiou o governador tucano para, em nome da ética na política, importante sublinhar, derrotar o malufismo.

Doente desde dezembro de 1998, o que o fez assumir o segundo mandato com três meses de atraso, Covas entregou ao vice-governador Geraldo Alckmin a gerência do Programa Estadual de Privatização. Por meio desse programa, o Estado passou para a iniciativa privada empresas estatais, como a VASP e a Cosipa, rodovias e o Banespa, cujo controle acionário foi transferido para o banco espanhol Santander.

O ex-governador Orestes Quércia (PMDB) costuma dizer que construiu a moderna malha rodoviária de São Paulo, mas foi o PSDB quem “criou os pedágios”, ao transferir as rodovias estaduais para a iniciativa privada.

Além de privatizar empresas estatais, os tucanos marcaram suas administrações pelo ajuste das contas públicas, cuja dívida em 1995 era de R$ 32 bilhões. Mas reservaram para este ano eleitoral investimentos de R$ 21,9 bilhões, com uma série de obras que serão inauguradas para criar um contraponto ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do governo federal.

Essa primazia ao ajuste fiscal levou os governos do PSDB a reduzirem os investimentos sociais no Estado, com grandes prejuízos para as áreas de saúde, educação e segurança pública. Isso fez a qualidade de vida dos paulistas cair sensivelmente.

O pior indicador social do Estado é na área de educação, onde os professores têm salários inferiores aos de Rondônia, um dos mais pobres Estados brasileiros, cuja economia ainda é baseada na extração.

Nesses 15 anos de gestão tucana no governo de São Paulo a taxa de reprovação dos alunos na rede pública, no ensino médio, aumentou de 9,3% para 17,8% entre 2002 e 2006. Este resultado é o que melhor exprime uma política de ajuste fiscal, onde os investimentos sociais são deixados de lado.

Nas grandes obras do Estado os tucanos também tiveram problemas que estilhaçaram a vitrine que pretendem usar este ano contra a ministra Dilma Roussef. Um deles foi o desabamento do viaduto do Rodoanel, sobre a rodovia Régis Bittencourt, no dia 13 de novembro, quando a oposição ainda comemorava o apagão ocorrido três dias antes, resultante de uma pane das linhas de transmissão de Itaipu, que atingiu 18 Estados, ainda que por algumas horas.

O outro problema que deverá tirar o sono dos tucanos na campanha eleitoral deste ano é o desabamento da estação do metrô em Pinheiros, ocorrido no início de 2007. No acidente, que abriu uma enorme cratera na rua e provocou o desmoronamento de casas vizinhas à estação, morreram sete pessoas. As duas obras têm em comum a participação da Construtora Camargo Corrêa e denúncias de pagamento de propinas pela empreiteira a políticos e funcionários públicos para vencer licitações.

Todos esses problemas do governo de São Paulo serão usados pelos adversários do governador José Serra na campanha eleitoral. Mas eles não são privilégio de Serra, estando presentes em todos os governos do PSDB em SãoPaulo. Eles são muito parecidos. Já os governos de Fernando Henrique e os de Lula têm diferenças muito profundas. Não têm comparação.

Geraldo Seabra

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