Ibope já não esconde avanço de Dilma sobre Serra

Nem mesmo o Ibope consegue mais esconder o avanço da candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Roussef (PT) sobre a do seu principal concorrente às eleições presidenciais de outubro, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). A despeito do vaticínio do seu presidente, Carlos Montenegro, de que Serra será eleito, a pesquisa que o Diário do Comércio, de São Paulo, divulgou nesta quinta-feira mostra uma estagnação de Serra e um grande crescimento de Dilma.
A pesquisa, encomendada ao Ibope pela Associação Comercial de São Paulo, proprietária do jornal, tem o objetivo de oferecer à burguesia paulista um quadro das eleições presidenciais deste ano. Realizada entre os dias 6 e 9 deste mês, seus resultados são comparados à pesquisa que o Ibope divulgou em 7 de dezembro de 2009, sob encomenda da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O levantamento divulgado hoje registra 36% das intenções de voto para o governador José Serra, contra 25% para a ministra Dilma Roussef. Comparados à pesquisa de dezembro, quando Serra obteve 38% e Dilma 17%, os números mostram que o candidato tucano variou para baixo, exatamente nos limites da margem de erro, de dois pontos percentuais. Vale dizer que hoje ele pode estar com os 38% de dezembro, estagnado, na melhor das hipóteses, ou com 34%, se para menos.
Já Dilma Roussef, que marcou 17% em dezembro e aparece hoje com 25% das intenções de voto, registrou um crescimento de oito pontos percentuais, uma variação positiva quatro vezes maior que a margem de erro da pesquisa. Por esses números, a pré-candidata do PT pode estar com 27% ou 23%, com uma distância para o pré-candidato tucano variando entre sete e onze por cento. Por maior que seja, essa diferença é muito menor que os 21% que separavam os dois candidatos em dezembro.
A estagnação da candidatura de Serra vem sendo apontada desde o final do ano passado pelos institutos de pesquisa. Em seu levantamento de dezembro, o Datafolha mostrava que Serra repetia os mesmos 37% registrados em agosto, enquanto Dilma pulava de 17% para 23%. No início de fevereiro, a pesquisa CNT/Sensus chegava à mesma conclusão, mostrando um Serra patinando entre 31% e 33% em relação a novembro, enquanto Dilma crescia de 21% para quase 28% no mesmo período.
Outro aspecto que não está sendo destacado nesta pesquisa é o fato de ela ter apurado que a grande maioria da população brasileira quer a continuidade do atual governo, o que representa vantagem para a ministra Dilma Roussef por sua condição única de poder manter essa continuidade. Se eleito, o governador José Serra não daria continuidade ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desejo de apenas 10% dos eleitores ouvidos pelo Ibope entre os dias 6 e 9 de fevereiro.
Também é preciso destacar a grande quantidade de votos nulos ou em branco (11%) e de eleitores ainda indecisos (9%) apurados pela pesquisa. Esses percentuais batem as candidaturas do deputado Ciro Gomes, do PSB, que está com 11% (tinha 13% em dezembro), e da senadora Marina Silva, que está com 8% (tinha 6% em dezembro) das intenções de voto. Ciro e Marina lideram o ranking da rejeição, com 41% e 39%, respectivamente.
Somados os votos brancos e nulos (20%) com os de Ciro e Marina (19%) temos um universo de cerca de 40% de votos a serem disputados por Serra e Dilma. Se o candidato tucano parou de crescer desde dezembro, e a candidata do PT vem avançando a cada nova pesquisa, as chances de Dilma conquistar a maioria desses votos parecem ser maiores que as de Serra. Mas vamos com calma. Até outubro muitas pesquisas serão feitas para uma melhor definição do quadro sucessório.
Geraldo Seabra

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