Pesquisa CNI/Ibope nega determinismo da vitória de Serra

Uma leitura mais atenta da pesquisa CNI/Ibope divulgada ontem evidencia alguns dados que negam o determinismo disseminado pelos institutos de pesquisa de uma vitória do candidato tucano José Serra nas eleições presidenciais de outubro.
A pesquisa registrou 35% de intenções de votos para Serra, contra 38% em dezembro, e 30% para a candidata do PT Dilma Roussef, que em dezembro somava 17%. Esse avanço de Dilma reduziu de 21% para apenas 5% a diferença entre os dois candidatos.
Mas os dados mais importantes dizem respeito ao fato de que 53% dos eleitores brasileiros estão dispostos a votar no candidato indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e apenas 10% no candidato da oposição.
A sete meses das eleições, essa informação poderá dar outro desfecho ao pleito à medida que a ministra Dilma Roussef for consolidando junto ao eleitorado que é a candidata de Lula. Da mesma forma, segundo a pesquisa CNI/Ibope, quanto mais Serra for identificado como candidato da oposição as suas chances tenderão a diminuir.
Enquanto Dilma tende a se aproximar dos 53%, a tendência de Serra será de ir ao encontro dos 10% que se dizem dispostos a votar no candidato da oposição.
Outro dado que admite antecipar outro desfecho para as eleições de outubro é o crescimento de Dilma ante a estagnação de Serra. Nos três meses que separam a pesquisa anterior da que foi divulgada ontem, Dilma cresceu a uma média de 4% ao mês, enquanto Serra caiu 1% ao mês no mesmo período. Se esse comportamento for mantido, a candidata do PT terá superado o candidato tucano na próxima pesquisa CNI/Ibope por larga margem.
E a tendência é que se mantenha. Um dos pontos destacados pela pesquisa foi o aumento do conhecimento sobre Dilma. De janeiro a março, ela se tornou conhecida de 44% dos eleitores, contra 32% em dezembro. E o seu índice de rejeição, de 41% em dezembro, caiu para 27% em março, empatando com Serra.
Tudo leva a crer que não existe nada mais efêmero do que a dianteira que Serra tem hoje sobre Dilma. A diferença entre os pré-candidatos caiu de 21% para 5% de uma pesquisa para outra, consolidando o potencial de transferência da popularidade de Lula para a sua candidata.
Dilma ainda deverá herdar boa parte dos votos de Ciro Gomes, cuja candidatura não deverá ser mantida pelo PSB, e de Marina Silva na hipótese de um segundo turno. É mais provável, por uma questão de coerência do eleitor, que os votos desses candidatos migrem mais para a urna de Dilma do que para a de Serra.
Se nas próximas pesquisas o Ibope informar aos entrevistados que Dilma Roussef é a candidata de Lula e que José Serra é o candidato da oposição tudo indica que a eleição poderá mesmo ser decidida no primeiro turno. Pró Dilma, claro.
Geraldo Seabra

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