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Vitória de Piñera adverte sobre transferência de voto

Brachelet e Lula

Lula conseguirá no Brasil o que não foi possível a Bachelet no Chile?

A vitória do centro-direitista Sebastián Piñera sobre o ex-presidente Eduardo Frei, que não conseguiu se beneficiar da transferência de votos da presidente socialista Michele Bachelet, dona de uma popularidade de 80%, acendeu uma luz amarela nas eleições presidenciais do Brasil, em outubro.

A nove meses das eleições brasileiras, essa vitória de Piñera serve de advertência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também tenta transformar a sua grande popularidade em votos para eleger a ministra Dilma Roussef, por ele mesmo escolhida como candidata à sua sucessão.

Há 20 anos no poder, a frente Concertación, de Bachelet, reduziu a pobreza de 44% para 13%, mas no mesmo período as diferenças entre ricos e pobres se acentuaram. Apesar dos avanços, Piñera, da Coalición por el Cambio (Coalizão para a Mudança, em tradução livre), venceu as eleições com 51,6% dos votos, contra 48,3% dados a Frei.

A margem apertada de voto entre Piñera e Frei não seria registrada se Bachelet tivesse transferido sua popularidade para Frei.

Piñera é o primeiro candidato da direita (ou centro-direita) a chegar à presidência, através do voto, desde 1958. E o primeiro não integrante da Concertación a assumir o Palácio presidencial La Moneda em 20 anos, desde a queda da ditadura de Pinochet.

Em sua primeira entrevista a jornalistas estrangeiros na condição de presidente eleito, ele reconheceu a popularidade da atual presidente, mas ponderou que a vontade de mudar pode ser mais forte que a popularidade de um presidente.

“Quero deixar claro que uma coisa é a popularidade de um presidente e outra coisa é a necessidade de mudança que pode experimentar um país, como ficou demonstrado aqui no caso do Chile”, afirmou.

Piñera foi questionado, por um jornalista brasileiro, sobre a dificuldade de transferência de votos da presidente Bachelet, para seu candidato, Eduardo Frei, e a possibilidade de o mesmo ocorrer no Brasil.

â€œÉ verdade, a presidente Bachelet é muito popular e o presidente Lula também. Mas não há que confundir a popularidade de um presidente com a necessidade de mudança de um país”, disse.

Segundo ele, no Chile ficou demonstrado que “não é incompatível” um presidente popular e, ao mesmo tempo, “uma tremenda demanda por mudanças” – que teria ficado claro no resultado deste domingo.

Piñera afirmou conhecer o “projeto de mudanças” do Brasil e disse saber que a oposição brasileira ainda não definiu seu candidato.

Apesar disso, ele disse que “dos dois candidatos, conheço particularmente o [José] Serra. Mas o Brasil deverá tomar seu próprio caminho”.

Analistas chilenos ouvidos pela BBCBrasil destacaram a “dificuldade para se transferir votos” e indicaram mais pontos em comum do que diferenças entre os processos políticos e eleitorais no Chile e no Brasil, onde a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, é a candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sua sucessão, este ano.

Eles destacaram que tanto Lula quanto Bachelet governam com estilo “personalista”, têm histórias de vida que “seduzem” o eleitorado e são vistos como mais “simpáticos” do que seus candidatos.

A ressalva nesta comparação entre Chile e Brasil foi feita pelo cientista político Patricio Navia, da Universidade Diego Portales.

“No caso do Chile não foi a Bachelet quem definiu o candidato. Foi o partido. No caso brasileiro, a decisão pela candidata Dilma foi do presidente Lula. Ele é muito popular e tentará transferir essa popularidade. Bachelet e Frei, por exemplo, nunca foram próximos”, disse.

No caso brasileiro, interpreta ele, a transferência de votos pode ser mais fácil do que na situação chilena, mas ainda assim pouco provável.

“A ministra Dilma é uma protegida política do presidente, diferentemente de Frei em relação à presidente chilena”, destacou.

Segundo ele, votar no Lula não significa que o eleitor votará, por exemplo, “numa filha dele”.

Navia e o também analista político Ricardo Israel, da Universidade Autonoma, observaram diferenças de estilo entre Bachelet e Frei.

“Ela é mais simpática e carinhosa e Frei é seco, de poucas palavras”, disse Israel.

Fenômeno similar poderia ser visto no Brasil em relação a Lula e Dilma, como observou Israel.

Com informações da BBC Brasil

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