Ciro Gomes usa a TV para puxar o tapete de Dilma

O deputado Ciro Gomes (PSB-CE), pré-candidato do seu partido à Presidência da República, apareceu ontem na televisão puxando o tapete na ministra da Caa Civil, Dilma Roussef, pré-candidata do PT e preferida do presidente Luiz Inacio Lula da Silva à sua sucessão. Para destronar a chefe da Casa Civil, ele se apresentou dizendo que é a melhor alternativa para dar continuidade “às conquistas†atual governo.
Mestre de cerimônia do programa do PSB que foi ao ar no horário político de rádio e televisão, Ciro Gomes tentou escorar sua candidatura, que está de ladeira abaixo em todas as pesquisas de intenção de voto, agarrando-se em Lula.
“Sob a liderança extraordinária do presidente Lula, o Brasil conquistou grandes avanços”, afirmou. “Pela primeira vez o governo federal dedicou a atenção e os recursos necessários para atender o nosso povo que mais precisa. E assim nasceram, por exemplo, a política de aumento real do salário mínimo, a ampliação do crédito popular e o Bolsa-Família.”
Depois de se derramar em elogios ao governo com o qual procura se identificar – na verdade, ele foi ministro da Integração Nacional no primeiro mandato de Lula – Ciro Gomes tentou dar um chega prá lá em Dilma Roussef, principal executiva do governo, quando disse que ninguém é melhor do que ele para dar continuidade às conquistas e aos avanços alcançados pelo Brasil sob a liderança de Lula.
Além de tentar destronar a preferida do sultão, Ciro atacou a estratégia de Lula para vencer a eleição presidencial de outubro compranado o seu governo com o doex-presidente Fernando Henrique Cardoso, polarizando a disputa entre o PT e o PSDB.
“Esse clima de Corinthians e Palmeiras, de Fla-Flu partidário, que leva o cidadão e eleitor a votar no partido A com medo do partido B e não pelas suas propostas, e vice versa, é ruim para o Brasil e muito arriscado para o projeto que estamos construindo”, criticou.
Não bastasse isso, com sua lingua ferina, Ciro disse que as conquistas do governo só foram alcançadas graças à vontade de Lula, que segundo ele por muitas vezes foi abandonado “por amigos e aliadosâ€. Mas nunca por ele, claro. “Eu e o meu partido sempre estivemos firmes ao lado desse projeto liderado por Lula, principalmente nos momentos mais difíceisâ€, disse.
No dia em que o programa do PSB foi ao ar, o Diário do Comércio, de São Paulo, divulgou uma pesquisa que encomendou ao Ibope revelando que 63% dos eleitores brasileiros querem que o próximo presidente dê continuidade aos programas do governo Lula. De posse desssa informação, Ciro invadiu o imaginário popular e se apresentou na TV apressando-se em dizer que era o único capaz de fazer essa vontade do eleitorado.
Ciro não se convence disso, mas a verdade é que ele não é o que imagina ser. Quando escolheu a ministra Dilma Roussef para a sua sucessão, Lula fez a opção por alguém que não estava simplesmente mais próxima a ele, mas também porque a ministra da Casa Civil trazia a experiência e a confiança da co-governabilidade angariada na coordenação administrativa do governo e como mentora e gerente do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento.
Além disso, Dilma Roussef tem consistência ideológica e história de militante de esquerda com condições de dar cara própria ao novo governo e de ser bem assimilada pelo PT, como já foi, a despeito da sua condição de cristã nova nas hostes petistas. Dilma tem ainda a exata dimensão de como deve ser um Estado moderno, de orientar, fiscalizar e até mesmo ocupar o lugar do empresário onde a iniciativa privada se mostrar ausente ou fraca.
Diante desse quadro, está claro que Ciro Gomes não conseguirá representar o presidente Lula diante dos eleitores, muito menos ter o seu aval para ser candidato à sua sucessão. Resta a Ciro, que tanto critica a aliança do PT com o PMDB, tentar costurar uma aliança para não continuar como candidato de um só partido. Ou sair da frente, tirar da cabeça essa história de que só haverá segundo turno com ele na disputa e partir para outro projeto.
Lula gostaria que ele fosse candidato ao governo de São Paulo, mas o PSB já tem a candidatura do empresário Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) além de uma grande proximidade com o PSB no Estado. Como o PT paulista também resiste à sua candidatura, pode restar a Ciro, para não ficar sem mandato, concorrer à Câmara dos Deputados e, repetindo Enéas, coinstruir uma bancada para o seu partido em São Paulo.
Gealdo Seabra

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