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Após privatizar, PSDB quer “aperfeiçoar” as estatais

Marisa Serrano_Senadora

A nota da direção do PSDB divulgada nesta terça-feira e assinada pela vice-presidente tucana senadora Marisa Serrano (MT) para refutar a declaração da ministra Dilma Roussef, que acusou o partido de pretender acabar com o PAC, é no mínimo cínica. Não só pela resposta à ministra, mas pela hilariante afirmação de que o PSDB deseja “o aperfeiçoamento das estatais e a continuidade do Bolsa-Família”.

O partido que quando esteve no poder promoveu a maior transferência de patrimônio público para mãos privadas, que só não vendeu a Petrobrás, os Correios, o BNDES, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal porque a grande reação popular não lhe deu tempo para encontrar compradores. Agora, como lobo em pele de cordeiro, vem negar o que fez e prometer o que nunca fará.

A nota da senadora Marisa Serrano é risível também na tentativa de contestar a declaração da ministra Dilma Roussef de que o PSDB pretende acabar com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Neste caso, a ministra só respondeu textualmente as declarações feitas pelo presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), em entrevista à revista Veja: “Nós vamos acabar com ele”.

Nessa entrevista, na edição de 13 de janeiro da revista, Guerra resumiu o PAC a “projetos eleitoreiros”, que só andam os que têm padrinho político. Talvez por isso tenha irritado tanto aos tucanos a inauguração, na terça-feira, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra Dilma Roussef de obras do programa exatamente em Minas Gerais, estado governado pelos tucanos.

Além de acabar com o PAC, Guerra fez também promessas para serem pagas em caso de vitória dos tucanos nas eleições presidenciais de outubro. Ele apontou para a política econômica do governo Lula, cuja paternidade o PSDB sempre reivindicou, para anunciar mudanças na taxa de juros, no câmbio e nas metas de inflação. Se for para voltar aos valores do governo FHC, é melhor deixar como estão.

Melhor que isso, só a declaração de Sérgio Guerra reivindicando para o PSDB o título de “partido de esquerda”. E tome promessas: “Se ganharmos vamos acelerar os investimentos na educação e na saúde. Manteremos o Bolsa Família, que é um mecanismo de erradicação da miséria e da fome”, disse. Quem quiser que acredite.

Agora, só para completar, leia abaixo um trecho extraí­do da reportagem publicada hoje pelo jornal O Estado de S. Paulo, sob o título “PSDB reage à artimanha do PT”:

“Já o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), criticado pelo PT por sua própria estratégia publicitária, prometeu ontem que continuará a “esconder” o logotipo do governo em materiais de divulgação de ações administrativas. “Tucano é nota 100 em esconder a autoria das coisas. Nem todo mundo no Brasil é nota 100 nessa matéria, pelo contrário”, disse, ao apresentar kits escolares da rede estadual. “O material é de muito boa qualidade, no estilo tucano: esconde o nome do governo.”

Só que os únicos itens do kit que não traziam o logotipo do governo eram a borracha e o apontador. Mochila, caderno, lápis, caneta e cola tinham o símbolo estampado. “Tucano é avesso a fazer publicidade quando está no governo. Não se pode dizer que a gente usa a máquina governamental para promover sequer o governo, quem dirá o partido.”

Seria cômico, se não fosse trágico. Melhor rir, para não chorar.

Geraldo Seabra

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