Gilmar Mendes age como militante do PSDB
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, protagonizou ontem mais um gesto de oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não como magistrado, mas como militante tucano.
Convocado pelo jornal O Globo, Gilmar Mendes defendeu o exame pelo Tribunal Superior Eleitoral dos gastos da viagem do presidente e sua comitiva para vistoriar as obras de transposição das águas do rio São Francisco.
“Estão testando a Justiça Eleitoral e o Ministério Público. Nem o mais cândido dos ingênuos acredita que isso é uma fiscalização de obras. Não se tinha visto até então a ministra Dilma (Roussef) fiscalizar obrasâ€, disparou Mendes.
Esta não foi a primeira vez que o ministro Gilmar Mendes desceu do seu cargo de presidente do STF para fazer proselitismo político contra o governo federal e se comportar não como magistrado, mas como candidato de oposição.
Repetidas vezes, Mendes tem abandonado a sobriedade que devia marcar o comportamento de um chefe de poder para lançar ataques ao presidente Lula.
Ainda ontem, não satisfeito com as críticas à viagem de Lula às obras do PAC, Mendes deu palpites sobre a guerra entre a polícia e o tráfico no Rio de Janeiro. Não para ajudar na solução do problema, mas para alfinetar o governo Lula.
“No Rio há o uso de armamentos pesados, que são importados ilegalmente. Isso passou pela fronteira. Não é um problema básico do Rio, mas da falta de controle. Há uma responsabilidade nacional, não podemos imputar apenas às autoridades locaisâ€, disse.
Ele faz isso deixando de lado o recato e a prudência. São predicados que deviam pautar o comportamento de qualquer magistrado, especialmente daqueles que têm assento na mais alta Corte de Justiça do país.
Com sua oposição sistemática ao presidente da República, Gilmar Mendes se transforma em mais uma célula do aparelho do tucanato que ocupa cargos no Judiciário. O mais evidente é o Tribunal de Contas da União (TCU), um corpo de juízes oriundos do ninho tucano.
A exemplo dos ministros do TCU, que de uma hora para outra decidiram se posicionar contra as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o presidente do Supremo se comporta como se estivesse retribuindo a quem o nomeou.
Advogado-Geral da União no governo Fernando Henrique Cardoso, Mendes tornou-se ministro do Supremo em 2002, no apagar das luzes do segundo governo de FHC.
Para a sua aprovação pelo Senado, foi necessária uma grande mobilização da base tucana. Ainda assim, os senadores do PSDB não conseguiram evitar um total de 15 votos contrários à sua indicação – a maior rejeição até hoje registrada pelo Senado na hora de aprovar um ministro para o Supremo Tribunal Federal.
Recentemente, Gilmar Mendes ganhou notoriedade nacional ao mandar soltar por duas vezes o dono do Banco Opportunity, Daniel Dantas, preso e condenado pela Justiça de São Paulo por uma série de crimes financeiros e lavagem de dinheiro.
Outro dia ouviu duras críticas do ministro Joaquim Barbosa, seu colega de Corte, que acusou Mendes de viver na mídia destruindo a credibilidade da Justiça.
É isso o que Mendes quer: estar sempre na mídia, de preferência para falar mal de Lula. Não importa a que custo, mesmo o de desmoralizar a Justiça brasileira.

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