Vencer a crise compensou o atraso do IR
outubro 11, 2009 | Nenhum Comentário
Ninguém reclamou quando o governo abriu os cofres para evitar que o Brasil mergulhasse de cabeça na maior crise econômica mundial desde o final da Segunda Grande Guerra.
Para manter a economia funcionando, os gastos do governo com investimentos e desonerações fiscais chegaram a um por cento do PIB (produto interno bruto), algo em torno de R$ 15 bilhões.
Com esse investimento do governo, as vendas de veículos explodiram beneficiadas com a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). A isenção atingiu também os produtos da chamada linha branca (fogões, geladeiras, máquinas de lavar etc.).
Com o consumo aquecido, a indústria sustentou a sua produção, o comércio bateu recordes de vendas, os empregos e a renda do trabalhador foram mantidos e o consumidor atualizou seu veículo ou renovou os equipamentos da cozinha.
A esses gastos some-se a queda da arrecadação, que não foi pequena. Da previsão de receita enviada ao Congresso Nacional no ano passado para o Orçamento de 2009, a arrecadação federal diminuiu em R$ 80 bilhões.
Quando essas medidas foram adotadas, a queixa se resumia ao fato de serem tímidas. A China e os Estados Unidos gastaram muito mais, 13% e 6,7% dos seus respectivos PIBs.
Tecnicamente, ao contrário do Brasil, China e Estados Unidos ainda não saíram da crise.
A economia brasileira está funcionando tão bem que o País ainda se deu ao luxo de emprestar 10 bilhões de dólares ao FMI (Fundo Monetário Internacional). O mesmo FMI ao qual o Brasil vivia pendurado, feito brasileiro no cheque especial. Agora somos credores do Fundo.
Por isso não dá para entender todo esse estardalhaço que estão fazendo porque a restituição do Imposto de Renda pode atrasar em um pouco. A devolução que deveria acabar em dezembro, deve avançar em janeiro de 2010.
E não será muita gente a ficar na fila. Pelos números da Receita, em 2008, nesta época do ano, haviam sido devolvidos R$ 5,6 bilhões, contra R$ 5,4 bilhões até 15 de outubro deste ano.
Diferença de apenas R$ 200 milhões. Quase nada se comparada ao esforço do governo para manter a economia brasileira vacinada contra a crise internacional.
Provavelmente, muitos dos contribuintes que ainda não receberam e terão sua restituição depositada em sua conta corrente com um ou dois meses de atraso deve ter se beneficiado de alguma das medidas do governo para combater a crise.
Pode ter tido seu emprego preservado. Pode ter comprado um carro novo. Pode ter renovado sua geladeira, fogão ou a máquina de lavar. Seja qual for o benefício auferido, foi maior e mais vantajoso do que o atraso na devolução do imposto de renda.
Teve vantagem até quem não perdeu emprego com a crise, não comprou carro ou geladeira nova. Ganhou só por ver o Brasil atravessando a crise de forma altaneira. O resto é intriga da oposição.
