Presidente estava certo ao criticar Vale
outubro 15, 2009 | Nenhum Comentário
Os investimentos de R$ 9,5 bilhões anunciados pelo presidente da Vale Roger Agnelli, para Minas Gerais foi o reconhecimento das críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sua administração à frente da mineradora, carente de investimentos no País.
Dos investimentos anunciados, que vão até 2015, R$ 4,4 bilhões são de um antigo projeto da Vale para o Estado que havia sido adiado – a lavra de uma mina e implantação de uma usina de beneficiamento para produção de minério de ferro.
Além de não fazer investimentos no Brasil, a Vale ainda patrocina o desenvolvimento industrial e a geração de empregos em outros países. Como está fazendo com a Coréia do Sul, onde a mineradora está investindo R$ 1 bilhão na aquisição de navios.
Esta é uma antiga receita que nada contribui par ao desenvolvimento do País. Data da primeira metade do século passado, quando por meio da antecessora da Vale, a Companhia Vale do Rio Doce, o Brasil exportava minério de ferro e importava navios.
Junto à injeção de recursos em outros países, a Vale de Agnelli ainda promoveu a demissão em massa de trabalhadores – cerca de 2 mil só no ano passado. Isso ocorreu quando os lucros da companhia alcançaram a marca recorde de R$ 21,3 bilhões.
Quando Lula reclamou dessas demissões, Agnelli respondeu fazendo coro à Confederação Nacional da Indústria e sua mais poderosa afiliada, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e passou a pregar a flexibilização da legislação trabalhista, como condição sine qua non para manter os empregos.
As investidas de Lula na Vale tem sido interpretadas por setores do mercado como ingerência indevida do Estado numa empresa privada.
“A intervenção do governo em problemas específicos de uma empresa privada seria motivo da maior insegurança para aqueles que desejam investir e produzir no país”, reclamou da tribuna o senador Francisco Dornelles (PP-RJ).
Nada mais irreal. Embora “privatizada”, é preciso considerar que a Vale tem pouco capital privado, os 21% que pertencem ao Bradesco.
O restante da composição acionária de peso da companhia é formada de participações dos fundos de pensão do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, além do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Roger Agnelli é presidente da Vale por indicação do Bradesco, com pouco mais de 20% do capital votante da companhia.
Como os recursos públicos ainda constituem a maior fatia do capital da empresa, nada mais natural que o presidente da República dê palpites na sua administração. Aliás, ele pode até indicar outro executivo para dirigir a Vale.
