Le Monde: Lula cria a nova universidade
outubro 15, 2009 | Nenhum Comentário

Na edição desta quarta-feira, o jornal francês Le Monde publica uma elogiosa reportagem sobre educação no Brasil, na qual afirma que, com sua política para a área, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “inventa a universidade brasileira do século 21″.
Segundo reportagem de Daniela Fernandes, da BBC Brasil, em um caderno especial sobre educação o correspondente do jornal em São Paulo, Philippe Jacqué, afirma que o presidente Lula deu “um sopro de oxigênio ao ensino superior” e multiplicou, desde 2002, planos para dinamizar as universidades do país.
O Le Monde cita como exemplos a Universidade Federal do ABC, em São Paulo, criada em 2005, para “formar os engenheiros do futuro” e as inovações da Universidade Federal do ABC, “na zona operária onde Lula começou sua carreira”.
“O governo federal não economizou na Universidade ABC. Meio bilhão de euros foi injetado. Desde 2005, pelo menos 280 professores foram contratados, todos titulares de um doutorado”.
O Le Monde afirma também que a equipe jovem de professores, com idade média de 35 anos, corresponde ao desejo de reformular totalmente o modelo universitário brasileiro.
“Na Universidade ABC, não há departamentos de disciplinas, mas centros de pesquisas multidisciplinares para facilitar a cooperação”.
Outra inovação da Universidade ABC, segundo o diário francês, é a criação de 300 bolsas de iniciação à pesquisa por ano.
O jornal afirma ainda que o presidente Lula desenvolveu instrumentos para facilitar o acesso ao ensino universitário.
O que o Le Monde mostrou nessa reportagem especial é apenas a ponta do iceberg da silenciosa revolução que Lula está promovendo no ensino brasileiro, não apenas no ensino superior, mas em todos os seus níveis. Ela é uma prova de como as coisas mudaram na educação brasileira.
Nos primeiros meses de seu primeiro governo, importente para atender às reinvidicaões por melhores salários de professores do ensino superior em greve havia algum tempo, Lula foi alvo de ácidas críticas.
Elas partiam não apenas da oposição, de quem Lula herdara o pesado fardo, mas também de vários docentes.
Lembro do artigo de uma professora da Universidade Federal de Pernambuco, que em explícita manifestação preconceituosa afirmou que a atitude do presidente – que não conseguia atender as reivindicações – era típica de quem não havia frequentado a escola.
Em seu sétimo ano de governo, a soma das realizações na área educacional do presidente que pouco frequentou a escola é a melhor resposta aos seus críticos. Elas causam inveja a muitos doutores que o antecederam.
A valorização do professor vai das correções salariais, passa pelo estabelecimento de um piso salarial para a categoria e desemboca num programa de formação continuada dos professores. Constitui-se talvez no mais importante de todos os projetos implantados pelo governo na área.
O governo promoveu melhorias em todas as áreas da educação: ampliou os recursos para o ensino fundamental e médio; implantou serviço de transporte escolar para alunos de escolas rurais; ampliou o número de matrículas e de escolas do ensino profissionalizante.
Com o Projovem, promoveu a volta à escola de alunos de 18 a 24 anos que não concluíram o ensino fundamental. O programa Escola de Fábrica oferece 100 modalidades de cursos profissionais em 20 áreas, dentre as quais, marcenaria, turismo, hotelaria, confecção, agricultura familiar e informática. E cada aluno recebe uma bolsa-auxílio para suas despesas básicas.
As instituições públicas de ensino superior tiveram seus recursos ampliados consideravelmente. Nos últimos anos foram ou ainda estão sendo realizados concursos públicos para a contratação de milhares de professores. A redução das greves nas universidades mede bem os avanços do governo no ensino superior.
O Programa Universidade para Todos (ProUni), criado em 2004, financia total ou parcialmente estudantes de instituições privadas de ensino superior. As instituições que aderem ao programa são beneficiadas com isenção tributária.
A tarefa não se concluiu. Nem se concluirá tão cedo, tamanhas são as nossas carências na área da educação.
Mas não há dúvidas de que a educação brasileira, sob Lula e seu ministro Fernando Haddad, vive hoje momentos só comparáveis à época em que Gustavo Capanema foi ministro da Educação, de 1937 a 1945. Nesse período foi implantada uma série de projetos para a reorganização do ensino do País e organizado o Ministério da Educação nos moldes que existe até hoje.
