CNA afeta a credibilidade das pesquisas
outubro 15, 2009 | Nenhum Comentário
Os institutos de pesquisa que atuam no Brasil estão mais uma vez colocando a sua credibilidade em cheque, exatamente nesta ante-véspera de ano eleitoral quando se prenuncia a utilização dos seus levantamentos para aferir a opinião de milhões de brasileiros.
A pesquisa feita esta semana pelo Ibope, por encomenda da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) sobre a situação dos assentamentos da reforma agrária no País, é um exemplo vivo do que não devia ser feito pelos insitutos de opinião pública.
Sabemos que os institutos de pesquisa de opinião são empresas privadas. Vivem, portanto, do lucro do trabalham que realizam. E, não raro, fazem os levantamentos de acordo com os interesses dos clientes que os contratam.
Para atender a esses interesses manipulamos dados, invertem resultados. Como aconteceu levantamento que a CNA encomendou ao Ibope. A exemplo do que os instituos fazem no ambiente político, a manipulação dos dados parece ter orientado essa pesquisa.
Como bem definiu o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart, a pesquisa foi direcionada para desqualificar a reforma agrária no Brasil.
A exemplo de pesquias eleitorais, que costumam ser elaboradas para promover determinado candidato, destruir reputações ou enterrar determinada candidatura, essa pesquisa CNA-Ibope teve motivação política bem definida.
A oportunidade para a sua divulgação também foi cuidadosamente escolhida. Ocorreu logo após a invasão da fazenda de laranjas da Cutrale, no interior de São Paulo, onde teria havido excessos por parte dos ocupantes.
A outra motivação da pesquisa seria formatar o ambiente ideal para a bancada ruralista tentar instalar a Comissão Parlamentar de Inquérito para investigas a origem dos recursos que financiam as ações do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra).
A pesquisa trás ainda a suspeição de ter sido gerenciada pelo assistente social Marcelo Garcia, secretário executivo do Instituto CNA. Ele chefiou a Secretaria Nacional de Assistência Social no governo de Fernando Henrique Cardoso.
As conclusões a que chegou a pesquisa foram todas contestadas pelo Incra. A começar número de famílias pesquisadas – 1 mil – diante de um universo de mais de 1 milhão de assentamentos.
Outra conclusão da pesquisa, de que 72,3% dos assentamentos avaliados não geram renda com a produção, dos quais 37% nada produzem, foi amais combatida pelo presidente do Incra.
“É totalmente equivocado pegar o dado de produção para questionar a reforma agrária, porque estamos falando de um universo de pessoas excluídas”, declarou Hackbart.
Como fica a credibilidade dos institutos de opinião daqui em diante, frente a tão flagrante manipulação de dados? Provavelmente, os institutos vão ampliar as margens de erro para justificar a falta de sintonia de suas pesquisas com a realidade.
