PSDB chora o leite derramado sem fazer oposição

Após perder duas eleições seguidas para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PSDB ainda chora o leite derramado dessas derrotas sem encontrar uma saída política decente para enfrentar novamente as urnas. Por isso, o partido se perde no jogo sujo de uma campanha com acusações levianas, sem procedência, tentando reeditar o terrorismo que patrocinou nas últimas eleições presidenciais.
Desde a primeira derrota eleitoral o PSDB está sem rumo. Governou oito anos e perdeu o jeito de fazer oposição. Desaprendeu, e nos últimos anos não conseguiu construir uma proposta alternativa para o país e permitiu que Lula governasse impondo seus projetos e seu ritmo sem qualquer contestação. Os tucanos gastaram seu tempo dizendo que Lula copiava seus programas. Se o fez, foi aperfeiçoando.
Os tucanos perderam o alvo da oposição e confundiram os presidentes do Sendo com o governo Lula. Fizeram oposição, primeiro, ao senador Renan Calheiros (PMDB-AL), numa tentativa, afinal fracassada, de transformar em crise institucional um caso de adultério, uma questão de economia doméstica da família do senador.
Depois o PSDB tentou colocar o senador José Sarney (PMDB-AP) na berlinda, gastando com o apoio da imprensa as sessões do Senado e o papel dos jornais os seus discursos para tentar transformar em outra crise institucional denúncias sobre irregularidades administrativas no Senado Federal.
O PSDB pretendeu atingir Lula com os atos secretos assinados pelo ex-diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, que havia contratado sem concurso o namorado de uma neta de Sarney. O presidente do Senado foi levado à Comissão de Ética, até que o órgão esbarrou numa escorregada do líder do PSDB, Arthur Virgílio, que havia mantido no exterior um funcionário do seu gabinete estudando às custas do Senado.
Os tucanos também perderam muito tempo abrindo espaço para a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira, que teria tido um encontro com Dilma Roussef para tratar de assunto de interesse do empresário Fernando Sarney, filho do senador. Foi um diz que me diz enorme, e no final a secretária não conseguiu provar o encontro.
A tática equivocada da oposição do PSDB ao governo Lula pautou-se sempre por essa linha. Criando factóides um em cima do outro. Tentaram também com o apagão de novembro, quando um problema nas linhas de transmissão de Itaipu deixou às escuras, por algumas horas, 18 estados. Os tucanos ainda comemoravam o apagão quando desabou sobre suas cabeças um viaduto das obras do Rodoanel, em São Paulo.
Equivocadamente, o PSDB ainda tentou inflar crises militares, primeiro por causa da insatisfação da caserna com o terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos (os dois primeiros foram do governo FHC), numa indisfarçável e temível posição a favor dos torturadores do regime militar, certamente mais por oportunismo do que por convicção.
Depois, associou-se ao comando da Aeronáutica para desqualificar uma decisão estratégica do presidente Lula pela compra de jatos militares da França para reequipar a Força Aérea Brasileira. Nos dois casos, os tucanos juntaram-se a militares golpistas como as vivandeiras udenistas, fazendo do golpe o caminho mais curto para o poder.
Nas três últimas manifestações do PSDB – a entrevista do presidente do partido, Sérgio Guerra, à entrevista Veja, e as duas notas distribuídas à imprensa nesta terça e quarta-feira – os tucanos se mostraram desesperados e perdidos como num mato sem cachorro. Eles não sabem aonde estão, e perderam completamente a trilha de onde pretendem chegar, o Palácio do Planalto, em 2011.
Na edição de 13 de janeiro da Veja, na primeira referência à pré-candidata do PT à sucessão de Lula, a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, o presidente do PSDB, ao procurar desqualificá-la, disse que ela “não tem história, hospedou-se por algum tempo no PDT e foi agora para o PTâ€. “Dilma é candidata porque o presidente assim quisâ€, acrescentou.
A passagem pelo PDT não devia ser fator de desqualificação de qualquer político, a começar pelo senador Sérgio Guerra que como Dilma foi soldado do socialismo moreno do ex-governador Leonel Brizola. E a exemplo do que Lula fez com Dilma, nos primórdios do partido o governador do Rio de Janeiro também tirou Guerra do bolso do colete e lhe presenteou com a direção do BANERJ (Banco do Estado do Rio de Janeiro) e do PDT em Pernambuco.
Guerra também mostra que tem memória curta. O senador faz um ataque gratuito ao presidente da República – “acho que o presidente Lula foi o último a fazer política com as mãos sujas†– ao afirmar que não há mais espaço para esse tempo de mentalidade “que redundou no mensalão, na compra espúria do Parlamentoâ€
Os dois episódios, como se sabe, têm sua origem no ninho tucano. O mensalão mineiro, que envolveu o atual senador tucano Eduardo Azeredo no desvio de R$ 100 milhões dos cofres do Estado e das estatais de Minas Gerais para financiar a sua reeleição ao governo estadual, em 1998, cuja denúncia acaba de ser aceita pelo Supremo Tribunal Federal, “por peculato e lavagem de dinheiroâ€.
Quanto à compra de votos no Congresso, em troca de emendas parlamentares de cargos no governo, nada é comparável à compra de votos ocorrida no governo Fernando Henrique Cardoso, para a emenda da reeleição. O deputado Ronivon Santiago (PFL-RO), disse aos quatro cantos que vendeu o seu voto R$ 200 mil.
Como se vê, o PSDB não fez oposição ao governo. Não tratou da qualidade do ensino, da saúde e da educação pública. Aplaudiu a política econômica, sob o argumento de que é a mesma praticada nos governos de FHC. Não colaborou com a reforma política nem com a reforma tributária, questões fundamentais para o desenvolvimento do país. Calou-se sobre a inflação e os juros, menores que quando esteve no poder, assim como o desemprego. Ou seja, está sem discurso.
Geraldo Seabra

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