Remédio para “metástase institucional†deve ser a intervenção

A “metástase institucional†diagnosticada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, ao examinar a crítica situação político-administrativa do Distrito Federal, parece indicar que a Suprema Corte deverá mesmo prescrever como remédio a intervenção no DF, solicitada pelo procurador geral da República, Roberto Gurgel.
Mendes definiu a “metástase institucional†do governo de Brasília como sendo “o envolvimento aparente de todos os setores, apontando-se o envolvimento do governo, do próprio Executivo e também do Legislativo local em grande montaâ€.
Segundo o presidente do STF, essa “grande monta†de deputados envolvidos no escândalo protagonizado pelo governador licenciado (e preso) José Roberto Arruda é que “torna o caso complicado”.
A situação ficou ainda mais crítica com a posição adotada nos últimos dias pela Câmara Legislativa, cujos membros parecem ignorar a gravidade do momento. Eles pretendem emendar a Lei Orgânica do DF para alterar as regras da linha sucessória do Executivo e permitir aos deputados distritais elegerem o governador pela via indireta.
Esta seria uma “solução doméstica†para evitar a intervenção federal. Se a intervenção vier a ser aprovada pelo STF, o presidente da República deverá indicar alguém alheio aos quadros políticos de Brasília para chefiar o Executivo local, no esperado desfecho do Mensalão do DEM com o impedimento do governador José Roberto Arruda e do vice Paulo Octávio Pereira.
Mas intervenção é tudo o que os deputados distritais não querem. Dos 24 membros da Câmara Legislativa, cerca de 20 integravam até recentemente a base de apoio do governo Arruda. E os que não estão diretamente envolvidos no esquema de recebimento de propinas comandado pelo governador, têm seus feudos no governo apadrinhando centenas dos milhares de cargos comissionados distribuídos por Arruda.
Daí as dificuldades que essa maioria esmagadora que Arruda controla na Câmara Legislativa impõe para o andamento das investigações das denúncias de corrupção.
Depois de uma paralisia de três meses sem tomar conhecimento do escândalo, só a prisão de Arruda motivou os deputados distritais a acolherem os pedidos de impeachment do governador e do vice Paulo Octávio.
Mas passada a novela mexicana da renúncia de Paulo Octávio, a Câmara dá sinais de que as coisas não estavam sendo levadas tão a sério como imaginava a sociedade. Os deputados logo passaram a contracenar com o vice-governador, tonificando PO de uma hora para outra ao ponto de o vice, já no dia seguinte em que renunciaria, afirmar que ficará no governo até o último dia do mandato.
Se não houver intervenção federal em Brasília, a Câmara Legislativa continuará jogando para a platéia fingindo dar andamento aos processos de impeachment de Arruda e PO. A partir desta segunda-feira, 22, quando serão escolhidos os relatores dos processos, o rito processual se encarregará de dar tempo ao tempo, que podem chegar a 180 dias úteis.
Com todas as manhas regimentais, pedidos de vista, recesso parlamentar e outras manobras, é possível que se chegue ao fim dos mandatos do governador e seu vice sem que tenham sido julgados pela Câmara Distrital. É por isso que Paulo Octávio falou com tanta segurança que seu horizonte para permanecer no cargo é 31 de dezembro.
Geraldo Seabra

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