Acordo PT-PMDB sepulta candidatura de Ciro
O acordo selado pelo PT e o PMDB na noite desta terça-feira (20/10), no Palácio da Alvorada, sepultou definitivamente as pretensões do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) de ser uma opção da base do governo para candidatar-se à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Como o PMDB concordou em marchar ao lado do PT na disputa presidencial do próximo ano, indicando o candidato a vice-presidente, completou-se a grande aliança dos partidos da base aliada para dar continuidade ao governo Lula.
Essa aliança isolou o PSB, partido de Ciro, que ficou sem opção para ampliar o seu palanque.
O PSB não poderá contar nem mesmo com os dois partidos que junto com os socialistas formam o chamado “bloquinho†de apoio ao governo no Congresso Nacional, o PDT e o PCdoB. Enquanto os pedetistas já aderiram a Dilma, falta aos comunistas apenas formalizar seu apoio.
Isolado, o PSB não terá alternativa que não seja retirar a natimorta candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República. Até para resolver soluções locais para se manter no poder, como no Ceará e em Pernambuco, onde o partido depende de alianças com o PT.
No Ceará, o governador Cid Gomes, irmão de Ciro, é candidato à reeleição. Suas chances estão diretamente ligadas ao apoio da prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, do PT, ela mesma uma forte candidata ao governo em caso de uma improvável defecção socialista do governo federal.
Em Pernambuco Lula tem talvez seu principal aliado, o governador Eduardo Campos. Neto do ex-governador Miguel Arraes e presidente nacional do PSB, Campos também é candidato à reeleição.
E como deverá enfrentar o ex-governador Jarbas Vasconcelos, dissidente do PMDB, ele precisa mais do que nunca do apoio dos fortes candidatos que o PT tem à sua cadeira. Por isso, Campos nunca foi um entusiasta da candidatura de Ciro Gomes.
Apesar dessa realidade, ainda não será agora que Ciro Gomes renunciará à sua candidatura. Ele deverá sustentá-la até os limites dos prazos para se definir provavelmente por sua candidatura ao governo de São Paulo, na eventualidade, remota por sinal, de vencer as resistências do PT paulista ao seu nome.
Enquanto isso sustenta seu nome na mídia, na crista da onda
Além disso, em São Paulo o PSB tem tradição de forte aliado do PSDB, o que pode levar os socialistas a evitarem um confronto direto com os tucanos. Como se vê, a situação de Ciro Gomes fica cada vez mais delicada em termos de concorrer a uma eleição majoritária.
Por isso, ninguém estranhe que, no frigir dos ovos, Ciro seja mesmo candidato a deputado federal por São Paulo, Estado para o qual transferiu recentemente seu domicílio eleitoral.
Nesse caso, ele seguiria o caminho do Enéas (“meu nome é Enéasâ€, lembram-se?) para carregar na legenda outros candidatos e ajudar a formar uma boa bancada do PSB na Câmara. Com isso, Ciro também se fortaleceria, e ao seu partido, para uma próxima disputa eleitoral em qualquer cargo.

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