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Cassação de Kassab aumenta constrangimento de Serra com DEM

Arruda_Kassab

A cassação do prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (DEM), menina dos olhos do governador José Serra, virtual candidato do PSDB à Presidência da República aumentou o constrangimento do candidato tucano com o seu principal aliado. Serra ainda não havia digerido o “Mensalão do DEM” de Brasília quando viu o partido com o qual pretende juntar forças metido em outro escândalo.

Embora com diferenças de estilos, tanto Kassab quanto os seus correligionários do Distrito Federal – o governador afastado (e preso) José Roberto Arruda (ex-PSDB, ex-DEM e agora sem partido) e o vice-governador Paulo Octávio (ainda no DEM, sob ameaça de expulsão) – são acusados do mesmo delito: captação ilícita de recursos, ou doações irregulares de campanha, nas eleições de 2006 e 2008.

No mensalão de Brasília, capitaneado por Arruda, a turma do DEM recolhia e distribuía propinas de um grupo de empresários que depois seriam compensados com contratos milionários, obras superfaturadas e alterações no código de obras da cidade para a criação e implantação de novos bairros residenciais destinados à classe média alta.

Em São Paulo, sob a batuta de Kassab, as coisas não foram muito diferentes. Doações milionárias para a sua campanha, dois anos depois de Arruda, foram compensadas com a contratação para prestar serviços à Prefeitura de São Paulo das empreiteiras que fizeram as doações. Uma troca de favores, com a conta da festa bancada pelo erário.

Além de pertencerem ao DEM, os mensalões de Arruda e de Kassab teriam em comum uma empresa de prestação de serviços gráficos supostamente superfaturados em troca de propinas, tanto ao Governo do Distrito Federal quanto à Prefeitura de São Paulo. A diretora da empresa chegou a queixar-se do achaque da Secretaria de Saúde de Brasília.

O constrangimento que o DEM impõe ao governador José Serra com os escândalos de Brasília e agora de São Paulo pode custar ao partido o tão pleiteado cargo de vice-presidente na chapa encabeçada pelo PSDB para as eleições presidenciais de outubro.

Até antes da Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal, que desvendou o escândalo de recolhimento e distribuição de propinas comandado por Arruda que ficou conhecido como Mensalão do DEM, o governador do Distrito Federal era o nome mais cotado do partido para fazer a dobradinha com Serra. Agora, com o novo escândalo, fica difícil ao partido indicar um substituto para a vaga que seria de Arruda.

O DEM, que tem suas origens na Arena (Aliança Renovadora Nacional), partido de sustentação da ditadura militar (1964-85) vem definhando como partido político, sofrendo da mesma síndrome que se abateu sobre seus antecessores, na verdade a mesma agremiação com nomes diferentes.

Para voltar a se viabilizar eleitoralmente, dependendo dos resultados do pleito deste ano, o partido poderá mais uma vez ser obrigado a mudar de nome, depois de ter se chamado PDS (Partido do Desenvolvimento Social) e PFL (Partido da Frente Liberal), sucedido pelo Partido Democrata (DEM).

Geraldo Seabra

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