Arruda joga a toalha para negociar libertação

O governador cassado e preso do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-PSDB, ex-DEM e agora sem partido) desistiu de recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do DF que cassou o seu mandato, na semana passada. Agora ex-governador, Arruda vai negociar sua libertação.
Preso desde o dia 11 de fevereiro nas dependências da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, agora definitivamente sem mandato Arruda pode negociar sua saída da cadeia porque desaparecem as causas que justificaram a sua prisão.
Arruda foi acusado de usar o cargo de governador para obstruir os trabalhos de investigação da Operação Caixa de Pandora, nome dado pela Polícia Federal à operação que desbaratou o esquema de corrupção supostamente por ele chefiado.
No final das contas, Arruda ofereceu os anéis para salvar os dedos. Ainda dependendo de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o pedido de intervenção no governo, feito pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, a essa altura do campeonato Arruda teria pouco a ganhar se insistisse em manter seu mandato.
Ao concordar com a cassação, o ex-governador ganha de saída o arquivamento dos processos de impeachment que tramitam na Câmara Legislativa do DF. Esses processos, além da perda do mandato poderiam levá-lo a uma suspensão dos direitos políticos por oito anos, prazo em que ficaria inelegível para qualquer cargo.
Arruda também ganhar o relaxamento da sua prisão, já que não tem mais poder para influenciar nas investigações. O governador hoje é um homem acabado politicamente e abandonado pelos amigos, inclusive muitos dos que participaram do esquema de pagamento (empresários) e de recebimento (políticos) das propinas.
Embora tenha afirmado na carta que enviou aos seus advogados desautorizando um recurso junto ao TSE contra a sua cassação que estava abandonando a vida pública, essa decisão pode não ser definitiva.
Como se sabe, quando era líder do governo Fernando Henrique Cardoso Arruda foi obrigado a renunciar ao seu mandato por sua participação no arrombamento do painel eletrônico do Senado.
Seu objetivo era revelar o voto da ex-senadora alagoana Heloisa Helena (ex-PT, hoje no PSOL), favorável à absolvição do também ex-senador Luiz Estevão (ex-PMDB-DF), na época acusado de desviar recursos da construção da sede do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo.
Quando perdeu seu mandato de senador, evitando o processo de cassação Arruda também conseguiu salvar seus direitos políticos o que o possibilitou voltar à vida pública elegendo-se deputado federal e depois governador do DF. Esta possibilidade está novamente aberta para ele.
Arruda só não poderá concorrer ao pleito deste ano porque está sem partido político e a legislação exige pelo menos um ano de filiação partidária aos candidatos. Mas daqui a quatro anos, caso não esteja preso se condenado pelos crimes de corrupção dos quais é acusado, o ex-governador poderá se candidatar novamente a qualquer cargo eletivo no DF: deputado distrital, deputado federal, senador ou até mesmo governador. Ou, quem sabe, uma boquinha de vice numa chapa do PSDB, como quase conseguiu este ano.
Para isso, ele conta com a máxima de que o povo sempre esquece e que pelos favores que distribuiu sempre sobram alguns votos a permitir outra volta triunfal. Quem viver verá.
Geraldo Seabra
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