Conversão de anglicanos ameaça o celibato
O novo cânone anunciado esta semana pelo Vaticano, para promover a conversão ao catolicismo de anglicanos insatisfeitos com sua igreja, pode ser o início do fim da exigência do celibato para os padres católicos.
Em sua ânsia para arrebanhar novos fiéis, Bento XVI vai permitir que na conversão dos anglicanos à fé católica os padres anglicanos casados que desejarem migrar para a igreja romana permaneçam casados. Eles só não terão ascensão no clero para se tornarem bispos.
Diante dessa proibição, o Vaticano não esclareceu como ficará a situação dos cerca de 50 bispos anglicanos que estariam de malas prontas para trocar de igreja, muitos deles casados.
Mas deixou claro que além de um revés sobre a Igreja da Inglaterra, a conversão dos anglicanos poderá também se tranformar em grande problema para a Igreja de Roma.
Não é de hoje que anglicanos se juntam à Igreja Católica, com direito à manutenção de muitas das suas tradições espirituais e litúrgicas. No passado, tais isenções eram conferidas apenas em alguns casos, mas a migração de padres casados nunca foi permitida.
Essa abertura criará uma dupla e incômoda categoria de padres na Igreja, os celibatários e os casados. Isso vai levar a muitos questionamentos entre os católicos, principalmente por parte daqueles que defendem que padres possam casar-se e constituir família – como ocorre com os padres anglicanos.
Muitos padres que deixaram a batina para se casar vão novamente pleitear seu direito de celebrar missas. Só Brasil, mais de sete mil padres já trocaram a Igreja por uma mulher. Mais uma vez, o celibato na Igreja Católica estará ameaçado.
Embora a Igreja Católica justifique o celibato como sendo um ato de fé no seguimento de Jesus Cristo, que seria solteiro, alguns historiadores sustentam que a abstenção sexual teria sido adotada somente na Idade Média, por volta do ano 1.000, para evitar que a Igreja perdesse posses emeventuais disputas de herdeiros de seus membros.
A investida de Bento XVI sobre a Igreja Anglicana teve oficialmente o propósito de atender anglicanos tradicionalistas insatisfeitos com sua igreja por aceitar mulheres padres e bispos assumidamente gays.
Mas a Igreja está de olho num rebanho de 77 milhões de fiéis. Em 1992, quando ocorreu o último êxodo, parte considerável desse rebanho deixou a igreja por causa da ordenação de mulheres como bispas.
Mais tarde, as defecções prosseguiram devido à existência de um bispo que é declaradamente gay e a bênção a uniões entre pessoas do mesmo sexo.
A Igreja Anglicana foi fundada em 1584, quando o rei inglês Henrique VIII separou-se de Roma depois que o Papa Clemente VII lhe negou autorização para anular seu casamento com a espanhola Catarina de Aragão.
O rei criou então uma igreja só para ele, a Igreja da Inglaterra, e autoproclamou-se seu chefe. Fora da Inglaterra a Ingreja Anglicana é conhecida como Igreja Episcopal.
Os anglicanos se estabeleceram no Brasil em 1810, graças a um acordo de comércio firmado com a Inglaterra e que previa entre suas cláusulas a liberade de credo religioso no país, até então quase exclusivamente católico.
Comentários
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A “ansia” do papa de que falas considero que é dita em sentido apreciativo.
Quem ama anseia de facto pelo bém daquilo que ama, que neste caso é o povo Inglês.