De Arruda para Roriz, futuro de Brasília é desolador
A pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira, 22/12, não é nada animadora para os eleitores do Distrito Federal. As intenções de voto apuradas pelo levantamento apontam a vitória do ex-governador Joaquim Roriz em nada menos de seis cenários feitos para as eleições para governador no próximo ano.
É desolador saber que depois do escândalo protagonizado pelo atual governador José Roberto Arruda, flagrado à frente de um esquema de recolhimento e distribuição de propinas, o horizonte eleitoral para a capital da República seja novamente Roriz, que já esteve à frente do GDF por quatro vezes.
A exemplo de Arruda, as administrações de Roriz sempre foram nebulosas e envolvidas em escândalos. E como Arruda, ele também foi obrigado a renunciar ao seu mandato de senador para evitar ser cassado, depois do seu envolvimento com uma propina de R$ 2 milhões paga pelo dono da Gol, Nenê Constantino.
O Datafolha entrevistou 510 eleitores no entre os dias 14 e 18 deste mês. Portanto, depois que veio a tona o escândalo de Arruda. Mesmo assim, o instituto resolveu incluir o nome do governador para aferir a reação da população ao escândalo. Arruda ainda tem um apoio da população que varia entre 8% a 11%.
Diante das imagens do governador recebendo um bolo de dinheiro, mostradas insistitimente pela TV, é de se perguntar de onde vem tanta solidariedade. Afinal, esse desempenho de Arruda, dentro da margem de erro da pesquisa, de 4%, pode ser igual ou superior ao de outros candidatos à sua sucessão.
Vamos ao exemplo de dois cenários com o governador na disputa. No primeiro, Roriz (PSC) tem 44%, Agnello Queiroz (PT) tem 12, e Arruda (sem partido) tem 11%, José Reguffe (PDT tem 5% e Gim Argello (PTB), 5%.
No outro cenário, em que o candidato do PDT é substituído pelo senador Cristovam Buarque, que já governou o DF, os números ficam assim: Roriz, 44%; Cristovam, 13%; Agnelo Queiroz, 11%; Arruda, 8% e Gim Argello, 4%.
Sem Arruda na disputa, e o vice-governador Paulo Octávio (DEM) no seu lugar, o Datafolha confirma a vitória de Roriz com uma votação superior à soma dos demais candidatos: Roriz, 44%; Cristovam Buarque, 17%; Agnelo, 9%; Paulo Octávio, 5%, e Gim Argello, 4%.
Há coisa de um mês atrás, antes do escândalo das propinas vir à tona, Arruda rivalizava com Roriz na faixa dos 40% das intenções de voto. Ao despencar com o escândalo, se não atingiu o fundo do poço é porque foi aparado no meio do caminho pelos mais de 18,5 mil servidores que nomeou para cargos de confiança, e seus familiares, provavelmente detectados na apuração da pesquisa.
O resultado da pesquisa revela que Arruda ainda conserva um patrimônio eleitoral em Brasília que permitirá que ele retome suas atividades políticas no futuro. Se não sofrer nenhuma punição até o final do seu mandato, poderá voltar em 2014 como candidato a qualquer cargo.
Até lá, como ocorreu no episódio do painel do Senado, que o levou à renúncia, o povo novamente terá esquecido o que Arruda fez. Tanto ele quanto Roriz já demonstraram essa capacidade de ressurgir das cinzas, não importa o que tenha alimentado o fogo das suas fogueiras.
Geraldo Seabra

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