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Palanques estaduais favorecem candidatura de Dilma

Dilma_newlook_LulaOs palanques dos Estados de maior densidade eleitoral para o pleito de governadores no próximo ano, de acordo com a Pesquisa Datafolha divulgada terça-feira, tendem a favorecer a candidatura da ministra da casa Civil, Dilma Roussef, que só não tem vantagem definida em São Paulo, Estado do governador Jose Serra, candidato do PSDB e seu principal adversário na corrida presidencial.

São Paulo é a maior ameaça para Dilma Roussef. Até mesmo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi derrotado no Estado em todas as vezes que foi candidato. Lá Lula perdeu inclusive para Geraldo Alckmin, em 2006, quando foi reeleito. Daí­ a importância de um vice paulista para Dilma, bom de voto, o que não significa ser necessariamente o presidente da Câmara, Michel Temer.

Outro trunfo do PT para atrapalhar Serra em São Paulo seria a candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB) ao governo do Estado. Se Lula conseguir dobrar o PT paulista, que resiste a Ciro, a embarcar em sua candidatura, poderá tomar boa parte dos 10 milhões de votos paulistas que Serra conta em seu baú. Ninho tucano, é em São Paulo que o governo precisa investir para reduzir essa vantagem do PSDB.

Em Minas Gerais o eleitorado vai se dividir nas candidaturas de Antonio Anastasia do PSDB, vice e candidato Aécio, que vai trabalhar para Serra; Fernando Pimentel do PT, ex-prefeito de Belo Horizonte, e Hélio Costa do PMDB, ministro das Comunicações, cujos palanques serão dedicados a Dilma. Costa lidera as pesquisas em Minas, seguido por Pimentel e Anastasia, que tem apresentado crescimento.

No Rio de Janeiro, a situação de Dilma é ainda mais confortável em relação a Serra. Lá o tucano ainda não tem palanque, enquanto o governador Sérgio Cabral, aliado de Lula, lidera as pesquisas e tem grandes chances de se reeleger, até por falta de adversários. Fernando Gabeira, do PV, aliado de Serra, desistiu de sua candidatura ao governo. O ex-governador Anthony Garotinho, segundo colocado, também colocará seu palanque para Dilma, e o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Faria, que aparece em quarto lugar, perdeu a eleição no PT e deve desistir de sua candidatura.

Na Bahia, o governador Jaques Wagner (PT), candidato a reeleição, lidera as pesquisas com índices que variam de 39% a 43%, a depender do cenário. Seu palanque, como o do ministro Gedel Vieira Lima (PMDB), que aparece em terceiro, com 11%, será de Dilma. Serra contará na Bahia com a candidatura do ex-governador Paulo Souto (DEM), que está em segundo lugar pontuando entre 22% e 25%.

Em Pernambuco, a pesquisa Datafolha aponta o atual governador Eduardo Campos (PSB) vencendo a eleição já no primeiro turno, com 54% dos votos, mesmo enfrentando o senador e ex-governador Jarbas Vasconcelos (PMDB), seu principal adversário, que ficaria co m28%. Dissidente do PMDB, Jarbas Vasconcelos defende que o partido apóie a candidatura de Serra.

Campos é Lula desde criancinha e na hipótese remota de Ciro Gomes continuar candidato a presidente, ele deve cristianizar Ciro e ficar com Dilma. Neste caso, o PT lançará a candidatura do ex-prefeito João Paulo ou do ex-ministro da Saúde Humberto Costa. Seria para compor o quadro e dar mais palanque a Dilma.

Além de Pernambuco, base eleitoral do presidente do partido, senador Sérgio Guerra, os tucanos terão grandes dificuldades no Ceará, onde outro tucano de alta plumagem, o senador Tarso Jereissati, provavelmente será candidato ao governo para que Serra possa ter um bom palanque no Estado. Mas vai para o matadouro, pois a reeleição do governador Cid Gomes (PSB) pode acontecer já no primeiro turno.

Com a reeleição para o Senado praticamente certa, disputar o governo com o irmão de Ciro Gomes e uma de suas crias na política cearense, Cid, será um grande sacrifício para Jereissati. Depois de governar o Estado por três vezes, se for candidato de novo o criador corre o risco de perder a eleição em primeiro turno com a metade dos votos de sua criatura. O atual governador tem hoje até 67% dos votos dos cearenses, que podem desembocar no balaio de Dilma, enquanto o percentual de Tasso é de 23%.

A única hipótese de Dilma não ter uma esmagadora vitória sobre Serra no Ceará seria uma traição dos irmãos Gomes em favor de Serra, o que está totalmente descartado.

“O prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB), está empatado com o ministro da Justiça, Tarso Genro (PT), na liderança das intenções de voto ao governo do Rio Grande do Sul, segundo o Datafolha. A governadora Yeda Crusius, do PSDB, desgastada por um escândalo de corrupção, está reduzida agora a 5% das intenções.”

O parágrafo acima, extraí­do da matéria da própria Folha de S. Paulo sobre a pesquisa Datafolha – por isso está entre aspas – dá bem o quadro de como será a disputa presidencial no Rio Grande do Sul. Como Fogaça é do PMDB pró-Serra, o governador de São Paulo poderá ter em sua candidatura um bom palanque. Mas que poderá despencar, caso a governadora Yeda Cruzius confirme a ameaça de buscar a reeleição.

Em Santa Catarina o quadro é melhor para Serra. A ex-prefeita de Florianópolis, Ângela Amin (DEM), lidera as preferências do eleitorado para o governo do Estado, com 31%. A segunda preferência dos catarinenses recai sobre seu companheiro de partido, o senador Raimundo Colombo, com 18%. Qualquer um deles ficará com Serra.

A candidata do PT, senadora Ideli Salvati, líder do governo Lula no Congresso, só aparece em terceiro lugar, com 15%. Os candidatos do PSDB, o vice-governador Leonel Pavan, com 9%, e Eduardo Pinho Moreira, do PMDB serrista, com 7%, não ameaçam os três primeiros, mas reforçarão o palanque de Serra.

No Paraná, a situação de Serra é parecida com a de Santa Catarina. Na faixa do empate técnico disputam o primeiro lugar o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB) e o senador Osmar Dias (PDT), com 40% e 38% das intenções de voto. O irmão de Osmar, o também senador Álvaro Dias (PSDB), tem 28%. Ele só deverá ser candidato se o partido resolver que Richa, que comanda Curitiba em segundo mandato, deve completar seu governo.

Em qualquer caso, a situação do Paraná é favorável a Serra. O vice-governador, Orlando Pessuti (PMDB), que tem 5%, é da corrente do governador Roberto Requião, que tenta viabilizar sua candidatura à Presidência. O palanque para Dilma no Paraná será formado pelo candidato do PT, a ser escolhido entre Lygia Pupatto ou Nedson Micheleti. Mas as intenções de voto deles é de apenas 1%.

Onde não estará nada bom é o Distrito Federal. Secretário de Obras e um dos operadores do escândalo de recebimento e distribuição de propinas comandado pelo governador Jose Roberto Arruda desvendado pela Polícia Federal na Operação Caixa de Pandora, o presidente regional do PSDB Márcio Machado licenciou-se e até hoje não recebeu nenhuma punição do partido.

Os tucanos estão esperando a situação esfriar para decidir sobre o lançamento de candidato à sucessão de Arruda, que poderá ser a ex-governadora Maria de Lourdes Abadia. A outra opção do PSDB seria manter no DF a aliança nacional que tem com o DEM. Ocorre que o candidato democrata poderá ser o vice-governador Paulo Octavio, caso escape de punições pela Justiça Eleitoral, pois tudo indica que o partido quer preservá-lo para tê-lo como candidato.

Existe ainda a possibilidade do PDT lançar a candidatura do ex-governador Cristovam Buarque, mais inclinado à candidatura de Serra do que a de Dilma Roussef. Mas a candidata do PT devera ter, além do apoio do ex-governador Joaquim Roriz, que lidera as pesquisas, o palanque do PT, com a candidatura ao governo do ex-ministro do Esporte Agnelo Queiroz.

Geraldo Seabra

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