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Assessor de Serra desautoriza o presidente do PSDB

Serra_Guerra_Aécio

O governador de São Paulo, José Serra, não pretende fazer mudanças na política econômica do atual governo caso vença as eleições presidenciais de outubro, informou um de seus coordenadores de campanha. O economista Roberto Gianetti da Fonseca desautorizou o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (na foto entre Serra e Aécio), que havia anunciado as mudanças em entrevista à revista Veja, fomentando insegurança no setor financeiro da economia.

Gianetti disse neste domingo (24) à Folha de S. Paulo que a entrevista de Guerra não retrata o pensamento do governador. “Ninguém tem condição de fazer uma política detalhada para 2011, diante das incertezas sobre o exercício de 2010. É muito cedo para dizer isso”, justifica Gianetti, acrescentando, porém, que Serra não esconde seu ponto de vista sobre política cambial. Ele se referia ao câmbio apreciado, preocupação também da equipe econômica do governo.

Sérgio Guerra afirmou à Veja que, em caso de vitória, Serra fará mudanças nas taxas de juros, nas metas de inflação e na taxa de câmbio. A entrevista do senador pernambucano causou mal estar entre os coordenadores de campanha do governador de São Paulo pelo impacto de suas declarações junto ao setor financeiro. Os banqueiros associaram as declarações de Guerra aos rumores de que uma vez eleito Serra se fechará ao diálogo.

Outro motivo de preocupação com relação à entrevista é que ela foi considerada extemporânea, concedida num momento em que a equipe de Serra trabalha para construir pontes de financiamentos para a campanha. Para isso, a assessoria de Serra tenta suavizar sua imagem junto aos empresários, procurando retirar a impetuosidade, intolerância, imprevisibilidade e a dificuldade de convívio que caracterizam a personalidade do governador.

Pelo que se depreende da reação do governador José Serra à entrevista do presidente do seu partido, tornada pública por meio de assessores, os tucanos não têm somente a dificuldade de construir seu discurso de campanha. Falta também ao PSDB uma articulação vertical dos setores do partidos, não só para a escolha das palavras como também da oportunidade de torná-las públicas.

Lá como cá

Da mesma forma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva trata de campanha eleitoral durante reunião do ministério, em prédios de propriedade da União, como ocorreu na semana passada, na Granja do Torto, o governador José Serra não age de forma diversa. Ele costuma juntar representantes de grupos privados para reuniões periódicas no Palácio dos Bandeirantes, quando são discutidas suas chances e estratégias para a sucessão presidencial.

Geraldo Seabra

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