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Eleição de governador tampão será o pior dos mundos para o DF

Wilson Lima

A eleição de qualquer um dos 24 deputados distritais para completar o mandato do ex-governador que continua preso José Roberto Arruda (ex-PSDB, ex-DEM e atualmente sem partido) será o pior dos mundos para o Distrito Federal. Pior ainda se a escolha, por via indireta, recair sobre o governador em exercício Wilson Lima (PSC) cuja eleição está sendo articulada pelos seus pares.

Essa tentativa da Câmara Distrital só reforça a necessidade de intervenção federal no governo de Brasília, prestes a ser decidida pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Afinal, dos deputados que compõem a Câmara um está preso e apenas quatro ou cinco estariam livres da suspeita de envolvimento com o esquema de corrupção que levou à cassação de Arruda e à renúncia do vice-governador Paulo Octávio.

A eleição de Wilson Lima para governar o DF até o dia 31 de dezembro seria o mesmo que entregar os cuidados do galinheiro à raposa. Ou melhor, às raposas que formam a dupla de ex-governadores Joaquim Roriz e o próprio José Roberto Arruda. Os distritais que defendem a eleição de Lima são de alguma forma dos grupos políticos de um ou de outro, ou têm ligações com os dois.

Para completar o quadro, o governador tampão poderá se candidatar à reeleição. Neste caso, se o escolhido for do grupo de Arruda poderá substituí-lo como candidato ao Palácio do Buriti contando para ser eleito com toda a máquina administrativa do DF e também dos esquemas de caixa dois para arrecadação de fundos de campanha, usados tanto por Arruda quanto por Roriz.

Se a escolha recair sobre um aliado de Roriz, sua candidatura a reeleição se tornará mais difícil, pois teria de disputar a indicação com seu chefe político. Salvo algum impedimento por conta dos processos que responde por suposta prática de corrupção, Roriz será candidato a governar o DF pela quinta vez. E ele não abriria mão para um dos seus pupilos, por mais querido que fosse.

Portanto, para dar a Brasília a chance de uma faxina geral, a melhor solução seria mesmo a aprovação pelo STF do pedido da Procuradoria Geral da Republica para a decretação de intervenção federal no Distrito Federal.

O ideal era que a intervenção também recaí­sse sobre o Legislativo local, com a transferência dessa tarefa para o Senado. Não por honradez, mas pela distância dos fatos, os senadores teriam mais condições de cuidar das questões legislativas de Brasília até que a casa seja novamente posta em ordem.

Geraldo Seabra

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