Líder do PSDB está sendo ingrato com Roriz

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), está sendo no mínimo ingrato com o ex-governador Joaquim Roriz que foi a São Paulo comunicar ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sua decisão de disputar mais uma vez o governo do Distrito Federal e colocar o seu palanque à disposição do candidato tucano à Presidência da República, o governador paulista Jose Serra.
Irritado, ou talvez enciumado com o encontro entre o ex-governador e o ex-presidente, Virgílio desautorizou Fernando Henrique a negociar apoios políticos para o candidato do PSDB à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O senador criticou a reunião entre Roriz e FHC, da qual também participou o vice-presidente nacional da legenda, Eduardo Jorge Caldas Pereira.
Segundo Arthur Virgílio, embora tenha peso no partido Fernando Henrique não está credenciado para fazer ou desfazer acordos em nome do PSDB. “O caminho para selar ou fazer acordos não é Fernando Henrique. Elevai ser um militante de peso, mas não é seu papel fazer acordosâ€, decretou o senador.
Além de estar sendo injusto com FHC, a maior expressão do PSDB, Arthur Virgílio mostra ser um mal agradecido em relação a Roriz que tanto deu sem nada cobrar ao partido que lidera no Senado.
Em 2006, Roriz deu de mão beijada quase um ano do seu governo aos tucanos ao passar o bastão para a vice-governadora Maria de Lourdes Abadia quando caiu no conto de concorrer ao Senado. E ainda lhe deu a chance de reeleição, que ela não soube aproveitar.
Já ao convidar Abadia para ser sua companheira de chapa na eleição anterior, Roriz retirou o PSDB do ostracismo em que vivia no Distrito Federal desde que o ex-deputado Sigmaringa Seixas debandou do ninho tucano para os braços do PT. O ex-governador voltou a dar visibilidade ao partido quando elegeu sua filha Jaqueline Roriz deputada distrital pelo PSDB liderado por Virgílio.
Isso para não falar da última eleição presidencial, quando Roriz deu todo o apoio ao candidato tucano Geraldo Alckmin. Foi esse apoio que rendeu a Alckmin uma vitória sobre Lula no Distrito Federal. De quebra, Roriz contribuiu para eleger José Roberto Arruda seu sucessor ajudando a formatar o quase candidato a vice-presidente na chapa de José Serra, este ano.
Mas ignorando esse passado, senão de casamento certamente de união estável com Roriz, Virgílio diz agora que não vê porque o PSDB deve se “nivelar por baixo†numa nova parceria com o ex-governador. Reação típica de briga entre marido e mulher, ou de ex-amantes que passam a se agredir escondendo mais amor que desamor.
Em seu desvario eleitoral, Virgílio despachou Roriz afirmando que Serra não precisa do cacique brasiliense para mandar o eleitor do Distrito Federal votar no candidato tucano. Engraçado é que na eleição passada o PSDB precisou, Roriz mandou e seu fiel eleitorado obedeceu votando em Alckmin.
Goste-se ou não, Roriz é um coronel no estilo da República Velha. Ele tem seu próprio curral eleitoral construído na distribuição de lotes residenciais nas cidades satélites de Brasília. Este é o seu grotão.
Na área urbana Roriz goza do apoio de muitos empresários que também receberam lotes – industriais, comerciais ou projeções para a construção de edifícios – além de incentivos fiscais para a montagem dos seus negócios. Além da grande quantidade de lotes para a construção de igrejas, o que lhe garante o apoio de diversas religiões.
Ao recusar a mão estendida de Roriz por meio do seu líder no Senado, o PSDB está cuspindo no prato que comeu. Ou está sendo apenas oportunista pelo fato do ex-governador estar vivendo um inferno astral sob fogo cruzado da imprensa e do Ministério Público por seu envolvimento em supostos esquemas de corrupção. Mas isso não é nenhuma novidade na biografia de Roriz, nem foi apontado pelos tucanos quando dependeram do seu apoio.
Geraldo Seabra

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