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Oposição ainda se surpreende com liderança de Dilma

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Embora o candidato da oposição à Presidência da República esteja em queda livre nas pesquisas de intenção de votos desde o início do ano, lideranças do PSDB e do DEM reagiram com “surpresa” diante dos números da pesquisa CNI-Ibope desta quarta-feira, que apresenta o tucano José Serra com cinco pontos percentuais abaixo da candidata do PT, Dilma Rousseff.

Ao comentar a pesquisa em que Serra aparece com 35% das intenções de voto e a candidata governista, a ex-ministra Dilma Rousseff (PT), com 40%, o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), embora afirmando o contrário preferisse brigar com a realidade.

“O resultado nos surpreende e não é consistente com outros levantamentos. Mas o fato concreto é que nós devemos refletir”, disse. “Eu não brigo com pesquisa. As informações têm de ser avaliadas, mas não tenho dúvida nenhuma de que crescemos”, acrescentou.

Rabo de cavalo também cresce, só que para baixo. Talvez seja isso o que o senador quis dizer ao insistir no crescimento de Serra, piloto de uma campanha com crise de identidade e que enfrenta dificuldades até mesmo para arranjar um companheiro de chapa por que ninguém quer ser seu vice.

Claro que ele acabará achando alguém para a vaga, mas certamente será um candidato que não tem nada a perder – muito menos a ganhar – a não ser a notoriedade que a campanha poderá lhe render.

Ainda que sem falar em dificuldades da campanha, o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN) admitiu que os resultados da pesquisa CNI-Ibope desta semana são “desagradáveis”. De olho no início oficial da campanha, em julho, Maia reconheceu que “a pesquisa é ruim, mas não assusta”.

Cotado para ser o vice de Serra, o deputado federal José Carlos Aleluia (DEM-BA) também fez profissão de fé no início da campanha para que o candidato tucano retome a dianteira na preferência do eleitorado. Ele atribuiu o crescimento de Dilma ao fato dela estar atrelada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas não disse por que o Serra não faz o mesmo com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Nenhum deles admite, mas o maior problema de Serra é a crise existencial (ou de identidade) que o PSDB sempre enfrentou. Ser ou não ser, eis a questão. O partido que n ao soube ser oposição desde que perdeu a Presidência da República para o PT não aprendeu nesses últimos oito anos o caminho de volta.

Na verdade, tucanos e demos têm vergonha de assumir em público que são de direita. Isso eles só confessam aos financiadores de suas campanhas, mas para o grande eleitorado, que deixou de ser bobo há muito tempo, querem se apresentar na vanguarda política, como se fossem revolucionários com propostas de mudanças.

Esse medo de assumir sua própria identidade faz com que PSDB e DEM busquem confundir o eleitor, hora se apresentando na defesa de um Estado forte, hora com uma veia social de fazer inveja ao marxista mais empedernido. Eles prometem o contrário, mas todo mundo sabe que se chegassem novamente ao poder iriam congelar o Bolsa Família e os proventos de aposentados e pensionistas, retomar a privatização das empresas estatais e reformar a CLT para suprimir direitos trabalhistas.

É por isso que, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM) se junta aos que não acreditam na vitória de Serra e começa a tropeçar nos números da pesquisa. Ao comentar o levantamento CNI-Ibope, Virgílio admitiu que Dilma possa continuar crescendo, sem, contudo, chegar a 60% dos que consideram o governo Lula bom ou ótimo. Nem precisa. Basta chegar a 50% mais um e a fatura estará liquidada ainda no primeiro turno.

Geraldo Seabra

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