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Deboche de Roriz e dos distritais devia favorecer intervenção no DF

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O deboche do ex-governador Joaquim Roriz e de deputados distritais diretamente envolvidos com o Mensalão do DEM, o esquema de arrecadação e distribuição de propinas comandado pelo governador afastado (e preso) José Roberto Arruda (ex-PSDB, ex-DEM e atualmente sem partido), devia ser visto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como mais um motivo para embasar a intervenção no governo de Brasília, solicitada pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

Roriz está aparecendo na televisão em inserções do seu novo partido, o PSC, criticando as falcatruas cometidas por Arruda e condenando a intervenção federal no Executivo e no Legislativo da capital, para não ferir “a autonomia da sua população”. “Brasília não merece isso”, repete o ex-governador como se nada tivesse a ver com o escândalo protagonizado por Arruda e que certamente lhe incomoda por ele não admitir concorrência quando o assunto é malversação dos recursos públicos no DF.

Fosse Roberto Gurgel procurador geral da República nos tempos em que Roriz era o todo poderoso governador do Distrito Federal, certamente teria encontrados bons motivos para ter pedido, lá atrás, uma intervenção federal. Mas a sociedade brasiliense ainda tem esperança de que o procurador geral consiga a impugnação da candidatura de Roriz a mais um mandato de governador, para o qual trabalha desde que foi obrigado a renunciar ao seu mandato de senador, há dois anos, para evitar sua cassação por conta de uma propina de R$ 3 milhões recebida de Nenê Constantino, dono da Gol.

O sarcasmo dos deputados distritais envolvidos no escândalo revelado pela Operação Caixa de Pandora da Polícia nada fica a dever ao deboche de Roriz. Nessa quarta-feira, três meses depois que estourou o escândalo, dois deles, o deputado Rogério Ulysses (ex-PSB, agora sem partido) e a deputada Eurides Brito (PMDB), aquela que aparece na fita fechando a porta do gabinete de Durval Barbosa para em seguida encher a bolsa de dinheiro com mais privacidade, juraram inocência. Nada evitou que eles entrassem na relação dos oito deputados que serão processados pela Comissão de Ética da Câmara Legislativa por quebra de decoro parlamentar, divulgada após seus pronunciamentos.

Enquanto Ulysses reclamou do “tratamento igualitário” que vem sendo dado pela mídia a todos os citados nas denúncias, segundo ele “uma injustiça”, Eurides Brito contou uma história piegas de que foi criada em casa de sapé até os 13 anos e se chegou onde está foi graças ao esforço de uma mãe viúva que a elegeu entre os oito filhos para estudar. Eurides só não esclareceu sobre a origem e o destino do dinheiro com o qual foi flagrada enchendo sua bolsa, nem que forjou toda a sua carreira política nos domínios de Roriz e de Arruda, em cujos governos comandou, respectivamente, a estratégica Secretaria de Educação e o Programa de Erradicação do Analfabetismo.

Fatos não faltam para justificar a intervenção no Distrito Federal. Além de um governador (Arruda) preso, um vice-governador (Paulo Octávio) que renunciou, talvez para não encontrar o mesmo destino, e um governador interino (Wilson Lima) também acusado de improbidade administrativa, Brasília tem ainda uma Câmara Legislativa (equivalente à assembléia legislativa) composta por 24 deputados distritais dos quais oito – exatamente um terço – está respondendo a processo no Conselho de Ética por quebra do decoro parlamentar, todos envolvidos no escândalo do Mensalão do DEM.

Não bastasse isso, o deputado José Antônio Reguffe, do PDT, partido que fazia parte da base de sustentação do governo de Arruda até o estouro do escândalo, decidiu apontar ontem o responsável por todo o esquema de corrupção no governo de Brasília. Segundo Reguffe, a responsabilidade é dos eleitores de Brasília, que elegeram Arruda e sua quadrilha. O detalhe é que em sua boa fé, os eleitores não elegeram Arruda e os companheiros de Reguffe para dilapidarem os cofres do governo de Brasília. No dizer da deputada Erika Kokay (PT), eles cometeram latrocínio, roubo seguido da morte de pacientes nos hospitais públicos para onde deveriam ter sido enviados os recursos que desviaram.

Geraldo Seabra

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Comentários

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  1. Valdivino says: 26 de fevereiro de 2010

    Ótima matéria. A propósito das constantes aparições de Roriz na TV, em horário nobre, alguém saberia dizer a quem cabe a concessão do espaço para sua demagogia? Como existe matéria paga, em jornais, haveria também o “espaço pago”, na TV? Se se trata de um “presemte da Rede Globo”, por que o mesmo espaço não é concedido a alguém que conhece bem os podres do governo Arruda e de outros, antecessores, cuja hipocrisia parece não ter limites?

  2. Marcelo says: 26 de fevereiro de 2010

    Roriz aparece na Tv usando tempo do PSC, se voce observar a propaganda, ele é exibido como presidente de honra do partido… pra justificar o uso do tempo que no fundo no fundo esta sendo usado em favor proprio.

  3. kathree@ig.com.br says: 5 de março de 2010

    Uma pergunta. Alguém se lembra que roriz renunciou ao mandato no senado para não ser cassado. e, quem está pagando a propaganda em horario nobre na tv, às vezes repetida a cada minuto? seria dinheiro de “salario?”
    Porque foi mesmo?

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