TV Globo busca saída para Serra e ataca pré-sal

Em busca de uma saída para o candidato tucano José Serra retomar a liderança da corrida presidencial, a Rede Globo de Televisão, por meio do seu canal fechado Globonews, promoveu nessa quinta-feira (24) um conjunto de reportagens que incluiu até mesmo levantar a suspeição sobre a capacidade da Petrobrás para explorar o petróleo da camada pré-sal.
Essa movimentação da Venus Platinada para colocar sua estrutura e seus profissionais à disposição de uma candidatura antes mesmo do início da campanha eleitoral dá bem a idéia do estrago que a pesquisa CNI-Ibope divulgada no dia anterior fez nas expectativas eleitorais das empresas da família de Roberto Marinho.
A Globo treme como vara verde sé em pensar na possibilidade de uma vitória da candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ex-ministra Dilma Rousseff. Por isso, enquanto procura saída para Serra, aproveita para bombardear projetos do governo fazendo as vezes de um partido político, o PSDB, incapaz de apresentar uma proposta alternativa de governo para o país.
A sequência de reportagens pró-Serra e contra o governo Lula teve início no Jornal das Dez da Globonews, quando os âncoras e o comentarista político do telejornal – que sempre duvidou da capacidade de Lula transferir prestígio e votos para Dilma – apontou exatamente a participação do presidente na campanha para justificar a vantagem alcança nas pesquisas da candidata do PT sobre o seu adversário.
Quem se recorda da campanha política no Chile, no começo do ano, quando a ex-presidente Michel Brachelet não conseguiu transferir para o candidato do seu partido, cedendo a vitória ao presidente Sebastian Piñera, da oposição, há de lembrar que o comentarista da Globonews e do jornal O Globo cantou em verso e prosa que o exemplo se repetiria aqui no Brasil. Ele e o resto da chamada grande imprensa.
Como Lula e Brachelet, tanto quanto Brasil e Chile, são pessoas e países completamente diferentes, eles deram com a cara no chão. Enquanto isso, a caravana de Lula e de sua candidata desfila diante dos prognósticos furados desses “especialistas†da política brasileira. Que passam a transferir para o PSDB a responsabilidade de ter menosprezado a capacidade de transferência de Lula, como se nada tivessem a ver com isso.
Após o Jornal das Dez, a Globonews colocou no ar o programa Abre Aspas para discutir que saída o Serra teria diante do placar adverso de 40% a 35% das intenções de votos do eleitorado brasileiro apurado pela pesquisa CNI-Ibope. Dois constrangidos convidados, um cientista político e um sociólogo na contra mão do que queria a emissora discorreram sobre as poucas chances de Serra afirmando que a tendência era Dilma ultrapassar Serra mais cedo ou mais tarde. “O eleitor se pergunta porque mudar se as coisas estão indo tão bem?â€, justificam.
Serra foi orientado a focar de forma mais contundente temas que a apresentadora apontou como não sendo tão bem avaliados pelo eleitor como avalia o próprio presidente, como educação e saúde. Mas um dos convidados ressaltou que a avaliação semelhante à do presidente no campo do emprego e distribuição de renda, certamente anulariam o foco nos temas em que o governo teve avaliação menor.
No programa seguinte, com alto grau de oportunismo, embora tivesse um quê de extemporaneidade, a emissora foi buscar no acidente com a explosão de um poço de petróleo da BP (antiga British Petroleum) argumentos para levantar dúvidas sobre a capacidade da Petrobras para buscar petróleo nas águas profundas do pré-sal.
“Depois de quase dois meses de tentativas falidas de conter o vazamento de óleo no Golfo do México, o Sem Fronteiras pergunta o que é preciso mudar para evitar acidentes em poços profundos. No Brasil, procuramos a ANP para saber o que vem sendo planejado para garantir ao pré-sal um futuro seguroâ€, anunciou o apresentador sem esconder o alvo preferencial da reportagem.
Os correspondentes da emissora nos quatro cantos do mundo foram mobilizados e especialmente orientados para indagar de especialistas sobre os riscos de exploração de petróleo na profundidade da camada pré-sal. Mas se objetivo era atingir o governo, eles quebraram a cara ao ouvirem desses especialistas sobre a experiência e a forma responsável da Petrobras ao desenvolver a exploração em águas profundas.
Mas a reportagem não se deu por vencida e comparou o acidente do Golfo do México, ocorrido a 1,5 mil metros de profundidade, a uma possibilidade de ocorrência no Brasil de acidentes desse tipo, considerando que a camada pré-sal tem profundidade maior, chegando a 7 mil metros. Além disso, questionou as chances do programa da Petrobras de aumento de capital insinuando que os investidores pensarão duas vezes antes de comprar um título da estatal brasileira.
Geraldo Seabra

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