PMDB volta a barganhar com reajuste de aposentados
O líder do PMDB no Senado, senador Renan Calheiros (AL), voltou a defender nesta quinta-feira, em discurso no plenário, o reajuste de todos os benefícios previdenciários pelo mesmo índice que corrige o salário mínimo. Atualmente, os benefícios no valor de um salário recebem essa correção.
Esta é a segunda vez em menos de um mês que Calheiros vai à tribuna para cobrar essa equiparação, prevista em projeto de lei do senador Paulo Paim (PT-RS) já aprovado no Senado e aguardando votação pela Câmara dos Deputados, onde receber parecer favorável do relator Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP).
A primeira vez foi em 5 de novembro, dia seguinte a um desencontro do PMDB com o PT, quando as cúpulas dos dois partidos não conseguiram chegar a um acordo sobre o lançamento de candidaturas aos governos dos Estados, nos quais o PMDB quer o apoio do PT aos seus candidatos pelo apoio do partido à candidatura da ministra Dilma Roussef.
A coincidência é que essa segunda manifestação de Renan Calheiros sobre o tema ocorre exatamente 24 horas depois de outra frustrada reunião entre as cúpulas dos dois partidos para tratar do mesmo assunto, agora depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu a possibilidade de dois palanques em alguns Estados nas eleições de 2010.
Como da primeira vez, o PMDB usa os aposentados como moeda de troca com o governo para resolver seus problemas eleitorais. Sabendo que o governo não quer conceder equiparação dos benefícios da Previdência Social maiores que um salário mínimo, quando fica em desvantagem diante de algum tema o partido barganha com a questão
Os ânimos entre PT e PMDB estão mais acirrados na Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, e Mato Grosso do Sul, onde ainda não houve acordo par ao lançamento das candidaturas. Mas os dois partidos ainda precisam resolver suas pendências em Minas Gerais, Acre, Pernambuco e Rio Grande do Sul para definir como será o apoio do PMDB à candidatura da ministra Dilma Roussef à sucessão de Lula.
Até que todas as arestas sejam aparadas, o governo estará sempre sujeito a cobranças como a que o senador Renan Calheiros repetiu nesta quinta-feira.
Em seu pronunciamento de hoje Calheiros disse que aposta em um acordo e fez um apelo ao “retirante e sindicalista destemido” Lula, para que não vete o reajuste, conforme anunciou recentemente. “O retirante Lula irá onde os técnicos não conseguiram ir, com os ganhos do crescimento econômico distribuídos de forma justaâ€, afirmou.
Ele enxertou seu discurso elogiando a capacidade do país de superar a crise econômica mundial e exibir indicadores econômicos “estimulantes” como a geração de 1,1 milhão de novos empregos com carteira assinada, até outubro; retirada de 19,4 milhões de pessoas da linha da pobreza, de acordo com dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Referiu-se à mudança de faixa salarial de 18 milhões de pessoas nos últimos três anos (dados da FGV); mudança de previsão do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,5% em 2010 para 6,5%; crescimento industrial sustentado sete meses seguidos, entre outros.
Renan Calheiros defendeu a concessão de reajuste aos aposentados lembrando que o Programa Bolsa-Família e o progressivo reajuste do salário mínimo não provocaram uma catástrofe na economia, como previam alguns. Ele ressaltou que o Bolsa-Família gerou um acréscimo de R$ 43 bilhões ao PIB, tendo proporcionado, ainda, uma arrecadação extra de R$ 12 bilhões aos cofres públicos.
Geraldo Seabra

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