Porque Freire quer o PSDB distante de FHC
Em entrevista a uma emissora de televisão no Ceará, domingo à noite, o presidente do PPS, Roberto Freire, defendeu que a campanha do PSDB para presidente em 2010 se distancie do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Segundo Freire, aliado de primeira hora da candidatura do governador José Serra à Presidência da República, “a política econômica de FH não é a do PSDBâ€. Por isso, ele não quer associá-la ao programa do candidato José Serra.
A afirmação do ex-deputado pernambucano foi feita em tom de apelo aos jornalistas numa tentativa evitar uma desejada polarização que o PT pretende empreender para dar caráter plebiscitário às eleições presidenciais de 2010, comparando os oito anos de governo de Fernando Henrique com os oito anos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Nesse aspecto, o presidente nacional do PPS até que pode ser atendido, porque se uma coisa que Fernando Henrique não fez foi seguir o programa do PSDB no campo econômico. Pelo menos no que estava no papel. Mas não se pode negar, de qualquer forma, que o PSDB deu todo o apoio ao seu presidente para fazer o estrago que fez.
O que FHC fez quando esteve no governo foi realizar a política econômica que o impeachment não permitiu ao ex-presidente Fernando Collor colocar em prática. Isso é uma coisa, aliás, que Collor não perdoa em FHC. Não a realização da sua política, claro, mas ao fato de Fernando Henrique ter lhe negado o crédito pela paternidade por iniciar a implantação do “Consenso de Washington†no Brasil.
Seguindo o chamado “Consenso de Washingtonâ€, receituário neoliberal surgido em 1989 que defendia o Estado mínimo e dava toda a primazia ao mercado, FHC decretou uma abertura comercial, que ficou conhecida como a nova abertura dos portos no Brasil, privatizou as empresas estatais, impôs um arrocho fiscal com a maior redução dos investimentos públicos da história do país, demitiu funcionários públicos, reformou a previdência social e ainda impôs, ainda que tímidas, algumas mudanças na legislação trabalhista.
Certamente este foi o motivo que levou Roberto Freire a pedir para que se retire da bagagem que Serra inevitavelmente levará ao debate eleitoral do próximo ano os “feitos†de Fernando Henrique no campo econômico.
Aliás, na sucessão de FHC, quando sua política econômica já fazia água por todos os poros e Serra foi candidato, ele já tentou separar-se da política eocnômica de FHC, como se o PSDB não tivesse nada mais a ver com aquilo.
A tática chegou a ser repetida por Geraldo Alckmin, quando o candidato do PSDB chegou a fazer camapanha contra as privatizações e fez uma cerrada defesa da manutenção da Petrobras e do Banco do Brasil como empresas estatais.
Os tucanos naquela época já estavam com vergonha do que haviam feito com a eocnomia brasileria. Como agora parece estar o ex-deputado Roberto Freire, que quer afastar esse cálice da campanha de Serra.
Mas se o PSDB tentar de novo negar Cristo, e agora será pela terceira vez, não faltará quem refresque a memória do seu candidato, seja ele Serra, Aécio, Alckmin ou quem tiver acoragem de segurar esse altar de sacrifícios. Sacrifícios do povo brasileiro, claro.

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