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Operação da Polícia Federal ameaça mandato de Arruda

Arruda_xA operação Caixa de Pandora, que a Polícia Federal realizou nesta sexta-feira (27/11), em Brasília, pode ter sido um profundo golpe nas aspirações do governador José Roberto Arruda (DEM) de candidatar-se à reeleição. Tida como vitrine de seu partido, a administração do democrata saiu bastante estilhaçada da acusação de pagar propina aos seus colaboradores. E a depender do andar das investigações, pode acabar antes do tempo.

Arruda evitou a imprensa durante todo o dia. Devia estar preparando uma explicação, ou a sua versão. Ele não comentou a operação da Polícia Federal que começou no início da manhã pela Câmara Distrital, de onde os policiais levaram documentos dos gabinetes do presidente da Casa, da líder do governo e de outros três deputados, e que se estendeu até a residência oficial de Águas e ao próprio centro administrativo onde trabalha o governador.

Arruda recebeu uma discreta solidariedade do líder do seu partido no Senado, senador José Agripino Maia (DEM-RN). Ele afirmou que o processo ainda é nebuloso e precisa de esclarecimentos. Tentou durante todo o dia falar com o governador, mas não conseguiu.

O presidente do PT-DF, Chico Vigilante, considerou a denúncia gravíssima e pediu o afastamento de Arruda. “Seria positivo que ele se afastasse do cargo para mostrar que está contribuindo com as investigações. Seria um gesto político importante”.

O primeiro afastamento de Arruda da cena política ocorreu em maio de 2001, quando, envolvido no escândalo da violação do painel do Senado, ele foi obrigado a renunciar ao mandato de senador para não ser cassado.

Hoje, para salvar os dedos, Arruda entregou os anéis: exonerou o secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, que gravou com autorização da Justiça uma conversa com o governador sobre o pagamento da propina. Réu em outros 28 processos, Barbosa estaria colaborando nas investigações em troca de delação premiada.

Além de Barbosa, numa atitude para criar uma cortina de fumaça em torno do episódio, Arruda também afastou de suas funções o secretário de Educação, José Luiz Valente, o chefe da Casa Civil e seu braço direito, José Geraldo Maciel, o chefe de gabinete, Fábio Simão, e o assessor de imprensa do governo, Omézio Pontes.

Segundo Barbosa, o governador o encarregou de entregar, mensalmente, diferentes valores ao presidente da Câmara Legislativa, deputado Leonardo Prudente (DEM), R$ 50 mil; à líder do governo, deputada Eurides Brito (PMDB), R$ 30 mil; ao deputado Junior Brunelli (PSC), R$ 30 mil; e ao deputado Benício Tavares (PMDB), R$ 30 mil.

Também recebiam verba mensal o ex-deputado Odilon Aires (R$ 30 mil), presidente do Instituto de Previdência, e o chefe de gabinete Fábio Simão, R$ 30 mil. Outras pessoas próximas a Arruda seriam responsáveis por fazer o pagamento a outros deputados distritais e representantes partidários que garantiam o apoio político ao governador.

Barbosa disse que o governador recomendou que o pagamento aos parlamentares fosse feito em parcelas “para evitar que eles perdessem o interesse em defender a candidatura de Arruda e seu programa de governo”.

“Desde a posse de Arruda, em todas as secretarias de estado e unidades do governo dirigidas por políticos com mandato, o titular da pasta recebe 40% das propinas arrecadadas”, disse Barbosa, no dia 16 de setembro, ao prestar depoimento aos promotores de Justiça Sérgio Bruno Cabral Fernandes e Clayton da Silva Germano.

Os outros 60% seriam divididos entre o governador (40%), o vice-governador Paulo Octávio (30%); o secretário da Casa Civil, Geraldo Maciel (10%); e o assessor de imprensa Omézio Pontes (10%). O restante do dinheiro era distribuído de acordo com orientação do governador.

Em outro depoimento, ao ser questionado sobre a continuidade dos delitos, Barbosa disse que a “coisa piorou muito” e que a “atuação do grupo chega a ser extorsiva”.

Ele afirmou que Arruda continua se valendo do mesmo grupo de pessoas para desviar recursos com a contratação de empresas prestadoras de serviços, a venda de terrenos públicos e a mudança de destinação de imóveis pertencentes ao governo do Distrito Federal.

Segundo ele, tais práticas “se destina tanto ao enriquecimento pessoal quanto ao pagamento da consciência de políticos” que, em troca de propina, apoiariam Arruda.

Em um relatório assinado pelo relator do inquérito, o ministro Fernando Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), há menção a pelo menos quatro empresas – InfoEducacional, Vertax, Adler e Linknet – que fariam parte do esquema.

No mesmo documento, o ministro relata que Barbosa havia recebido do governador R$ 400 mil reais que deveriam ser repassados ao chefe da Casa Civil do GDF, José Geraldo Maciel, para que este efetuasse o pagamento da base aliada. Outros R$ 200 mil teriam o mesmo destino.

Geraldo Seabra

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