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Queda de Serra estimula ataques da imprensa a Lula

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A queda do pré-candidato tucano José Serra nas pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais de outubro, aprofundada com os números divulgados neste domingo, 28, pelo Datafolha, tem gerado ataques da imprensa ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva numa tentativa desesperada de barrar o crescimento da ministra Dilma Roussef, pré-candidata do PT.

De acordo com o Datafolha, Dilma cresceu cinco pontos nas pesquisas de intenção de voto desde dezembro, atingindo 28%. No mesmo período, a taxa de intenção de voto no governador de São Paulo recuou de 37% para 32%. Isso fez a diferença entre os dois pré-candidatos recuar de 14 pontos para apenas quatro pontos percentuais.

Os números do Datafolha confirmam a evolução de Dilma e a estagnação de Serra já registrada em pesquisas anteriores da CNT/Census, do Ibope e do Vox Populi. A situação desagrada a imprensa, francamente favorável a Serra, levando jornais e revistas a apontarem suas baterias contra Lula em busca de falhas no governo.

Foi o caso, por exemplo, da visita que Lula fez a Cuba, na semana passada, quando se reuniu com Fidel e Raul Castro e vistoriou as obras do porto Mariel, financiadas pelo BNDES. Como a visita coincidiu com a morte do preso político Orlando Zapata Tamayo, em greve de fome, o presidente foi acusado de prestigiar um país que não respeita os direitos humanos. Quase foi responsabilizado pela morte de Tamayo.

A imprensa brasileira queria de Lula um discurso de condenação da situação dos direitos humanos na ilha. Não faria sentido, e o fato de não ter atendido ao apelo da imprensa não significa que o presidente seja favorável à violação dos direitos humanos.

Ou teria, por exemplo, de protestar junto a secretária de Estado Hilary Clinton, que visitará o Brasil esta semana, contra a prisão que os Estados Unidos mantêm em Guantánamo para prisioneiros afegãos. E onde os presos não têm respeitados seus direitos, fato já admitido por Washington.

A cobrança da imprensa, depois encampada pela oposição, que não tem iniciativa própria, e só se move quando provocada pelos jornais, tem também um quê de hipocrisia. Afinal de contas, o Brasil não é nenhum exemplo de respeito aos direitos humanos. Quem duvidar é só fazer uma visita à delegacia mais próxima e verificar como estão sendo tratados presos comuns no país.

Outro ataque que a imprensa já faz ao governo Lula é sobre as relações do Brasil com o Irã, cuja revisão a Sra. Clinton, com o apoio da nossa imprensa, vai pedir durante sua visita. Ela vem em busca de um alinhamento automático do Brasil com os Estados Unidos na questão do programa nuclear do Irã.

Os Estados Unidos, e a imprensa brasileira, que vive defendendo os interesses norte-americanos em detrimento dos interesses brasileiros, não consideram legítimo o direito do Irã de desenvolver seu programa nuclear.

Eles consideram o programa iraniano uma “ameaça à humanidade”, quando o mundo inteiro sabe que o único programa nuclear que faz essa ameaça – e a cumpre, como já fez com o Japão – é exatamente o norte-americano.

A pergunta que a imprensa deveria estar fazendo era com qual autoridade o país que jogou as bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, transformando em geléia centenas de milhares de pessoas ao final de uma guerra já decidida, se intromete no desenvolvimento científico e tecnológico de outra nação soberana.

No dia em que o Brasil tiver esgotados os seus aproveitamentos hidroelétricos e só tiver como opção a construção de novas usinas nucleares para a geração de energia, ninguém duvide que os Estados Unidos apontarão seus canhões para a gente.

Ao deturpar os fatos e tentar incluir esses assuntos no debate eleitoral, pautada pela imprensa, a oposição dá mais um tiro no pé. Foge ao debate dos verdadeiros problemas nacionais, talvez porque para os quais não tenha propostas de solução. Enquanto isso, a candidatura de Serra míngua, e a de Dilma avança.

Geraldo Seabra

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