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Na pesquisa espontânea, Datafolha mostra Dilma crescendo e Serra estagnado

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Não dá para entender a leitura superficial das pesquisas eleitorais feita pelos jornais, que estão aceitando seus resultados sem maiores indagações. A pesquisa Datafolha deste sábado, 27, por exemplo, apresenta dois resultados, um apontando o crescimento do candidato tucano, José Serra, e outro favorável à candidata do PT Dilma Roussef.

A pesquisa diz que Serra abriu nove pontos percentuais em relação à Dilma, quando cresceu de 32% para 36% em relação à pesquisa anterior enquanto a candidata do PT permaneceu estável com 27%, um ponto percentual abaixo do último Datafolha.

Por esses números, Serra voltou ao patamar que tinha em dezembro e Dilma pela primeira vez ficou estagnada. Eles nos levam a entender que a superficialidade da leitura acima referida é pura má fé.

Há outros números na pesquisa que precisam ser considerados, e é aqui que aflora a vantagem de Dilma. Um deles é a rejeição do candidato, quando o eleitor se manifesta dizendo que não votará em seu nome em hipótese alguma. O candidato tucano, por exemplo, tem maior rejeição (25%) do que Dilma (23%).

Outro dado que merece destaque é o revelado pela pesquisa espontânea, quando o eleitor é instado a declinar o nome do candidato em quem pretende votar sem o estímulo de uma lista. Neste caso, o Datafolha apresentou um número totalmente discrepante em relação à pesquisa estimulada.

Enquanto Serra manteve os mesmos 8% registrados em dezembro e fevereiro, Dilma apresentou uma evolução. Saiu de 8% em dezembro, passou para 10% em fevereiro e agora em março está com 12%. Ou seja, uma diferença de quatro pontos percentuais, a favor, em relação a Serra.

Trago esses números À consideração do leitor porque há mais coisas entre uma pesquisa e outra do que a nossa vã filosofia é capaz de imaginar. Por exemplo, a redução do intervalo entre elas e a elevação do número de entrevistados. E a oportunidade do levantamento. Detalhes como esses podem influenciar os resultados de uma pesquisa, apresentando números adversos que não encontram fatos novos que os justifiquem.

A pesquisa Datafolha divulgada sábado tem um intervalo de apenas 29 dias em relação à anterior, ouviu quase o dobro de entrevistados e foi feita num momento de grande exposição favorável do candidato tucano José Serra, enquanto a candidata Dilma Roussef estava sob o fogo impiedoso da imprensa com críticas às obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

No levantamento feito entre os dias 24 e 25 de fevereiro, o Datafolha ouviu 2.623 candidatos com mais de 16 anos e apurou uma queda de cinco pontos percentuais de Serra em relação à pesquisa feita entre 14 e 18 de dezembro (uma distância de 70 dias).

Já Dilma cresceu cinco pontos percentuais e a diferença entre os dois caiu para apenas 4%.

Mas como que a conferir esses resultados, o Datafolha voltou a campo nos dias 25 e 26 de março (apenas 29 dias depois) e encontrou um Serra mais robusto, recuperado dos pontos perdidos, em oposição a uma Dilma que perdera um dos pontos ganhos.

A diferença de Dilma em relação a Serra, que caí­ra de 14% para 4% nos 70 dias que separaram a pesquisa de dezembro para a de fevereiro, subiu para 9% nos 29 dias decorridos entre a pesquisa de fevereiro para março.

Isso em números absolutos da pesquisa, que lida por outro ângulo não apresenta Serra tão robusto. Porque como vimos, na resposta espontânea o eleitor dá uma vantagem a Dilma de 12% contra 8% para Serra, além de uma diferença pró-Dilma de dois pontos percentuais em relação à rejeição dos candidatos pelos eleitores.

As cinco pesquisas anteriores do Datafolha para as eleições deste ano, de 19 de março de 2008 para cá, tiveram em média um intervalo de setenta dias entre elas. Num período assim, mais dilatado, podem ocorrer mais fatos para os candidatos, favoráveis ou não, equilibrando a sua exposição. Como ocorreu em 2006, esperamos que o Datafolha reduza o intervalo entre as pesquisas. Mas vamos ler todos os números.

Geraldo Seabra

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