PSDB evita vice do DEM para esconder a sua cara

Imbuído da crença de que é um partido de centro-esquerda, o PSDB evita a todo o custo a indicação de um vice do DEM para compor a chapa do candidato José Serra a Presidência da República. Esta é a razão principal do partido para se apresentar às eleições de outubro com uma chapa puro-sangue, com a escolha do senador paranaense Ãlvaro Dias para o cargo.
Não é apenas o último escândalo que envolveu os demos – o esquema de recolhimento e distribuição de propina liderada pelo ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, que ficou conhecido como “mensalão do DEMâ€, que faz os tucanos fugirem do seu aliado histórico como o diabo da cruz. O componente ideológico dos demos assusta o eleitorado do PSDB.
Como o partido quer se apresentar ao eleitorado como “pós-Lulaâ€, mas não como anti-Lula, a presença forte de um partido assumidamente de direita como é o DEM na sua chapa vai atrapalhar o discurso de centro-esquerda que os tucanos pretendem usar na campanha presidencial, com o propósito não apenas de confundir o eleitor, mas também de garimpar votos na seara de Lula.
Essa estratégia, no entanto, não vai enganar o eleitor. Em 1995, PSDB e DEM chegaram juntos à Presidência da República com Fernando Henrique Cardoso e Marco Maciel de vice. Durante o período em que esteve no poder, o partido não teve escrúpulos para fazer um governo de direita, depois de se apresentar ao eleitorado como de centro-esquerda.
Não foi só a privatização das empresas estatais que deu essa cara ao PSDB. O governo FHC, como se recorda, enveredou por uma política econômica neoliberal que atingiu de cheio a classe trabalhadora e o funcionalismo público, com a precarização de contratos de trabalho e a nefasta reforma da Previdência Social que retardou as aposentadorias e abriu espaço para a previdência privada.
Esse é o problema dos tucanos. Eles querem se apresentar ao eleitorado escondendo sua cara conservadora e por isso não querem aparecer em público de mãos dadas com os demos. Estes, por sua vez, também jogam para a platéia quando esperneiam contra a indicação de Ãlvaro Dias. No fundo no fundo, seu desejo é apenas de participar da divisão do latifúndio, quer dizer, do governo, em caso (cada dia mais remota) da eleição de Serra.
A foto acima eles não querem ver publicada, ou evitar sua repetição. Ãlvaro Dias ladeado pelos senadores do DEM ACM Filho (BA) e José Agripino Maia (RN). Pelo menos enquanto durar a campanha eleitoral. Com Serra, então, nem pensar.
Geraldo Seabra

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