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Senador diz que Brasil enfrentaria a Argentina a tapas

Gerson CamataA pretexto de criticar os gastos do governo com a compra de armamentos, o senador Gerson Camata (PMDB-ES) afirmou hoje que em caso de um confronto entre o Brasil e a Argentina, o Brasil não precisaria de armas e enfrentaria o país vizinho a tapas.

“A Argentina tem 25 milhões de habitantes, e se resolvesse invadir o Brasil os enfrentaríamos a tapas”, disse o senador cometendo uma desnecessária gafe diplomática e errando no cálculo da população argentina, que passa de 40 milhões de habitantes.

A infeliz declaração de Camata foi feita nesta quarta-feira (28/10) em discurso da tribuna do Senado, para ironizar os gastos com armamentos programados pelo governo, digno, segundo ele, de quem se prepara para uma guerra.

No hipotético caso de o invasor ser os Estados Unidos, o senador disse que neste caso não adiantariam três aviões para enfrentar a maior potência militar do mundo.

Ao referir-se a aviões, na verdade Camata quis mencionar a compra de três submarinos que o Brasil está negociando com a França, para equipar o sistema de defesa do pré sal. Os aviões seriam em número maior, 24, que podem ser franceses, mas Estados Unidos e Suécia ainda estão no páreo fornecê-los.

O senador criticou o governo brasileiro por pretender gastar cerca de R$ 34 bilhões na compra de submarinos e aviões, quando, segundo ele, esta soma poderia ser empregada na segurança pública do país.

Camata subiu a tribuna para pedir mais investimentos e mais ações governamentais para o enfrentamento do crime organizado. Ele acha que o país está gastando muito com defesa, quando se ressente de investimentos na segurança pública.

“Ninguém está ameaçando o Brasil, o Brasil está deitado em berço esplêndido, tranquilo. Agora, os brasileiros estão ameaçados, estão sendo sequestrados, roubados, assaltados, assassinados a todo o momento.

“Quem precisa de defesa não é o Brasil, somos nós, brasileiros, que estamos tendo de cercar nossas casas como se prisões fossem, enquanto os bandidos estão soltos na rua”, disse o senador, para depois imaginar os prováveis cenários de guerra com Argentina e Estados Unidos, citados acima.

Na opinião do senador, a Lei 11.343/06, que institui o Sistema Nacional de Políticas sobre Drogas, facilitou a vida dos traficantes de drogas. Ele defendeu o projeto de sua autoria (PLS 227/09) que restabelece pena de detenção para usuários de drogas.

“Quando nós aprovamos aqui aquela ‘lei da descriminalização’, nós fizemos um grande trabalho para os traficantes. Agora, traficantes podem vender tranquilos, podem comprar droga, podem, com a arrecadação das drogas, comprar metralhadoras e derrubar helicóptero, que estão liberados por lei do Congresso Nacional, que liberou o direito de uso de droga por seus usuários.”

Gerson Camata também afirmou que o tráfico de drogas e o crime organizado são problemas de todo o continente sul-americano, e não apenas do Brasil. Ele disse que a maior parte das drogas e armas ilegais entra no Brasil pelas fronteiras, especialmente as com o Paraguai e a Bolívia.

Ele cobrou mais empenho dos ministérios da Defesa e das Relações Exteriores, pois o problema do combate ao crime organizado e tráfico de drogas é “intercontinental, internacional e de todo o continente americano”.

Com informações da Agência Senado

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Comentários

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  1. Nélio Lima says: 29 de outubro de 2009

    Parabéns pelo blog e pela proposta do blog!
    Precisamos de que jornalistas experientes e esclarecidos como Geraldo Seabra apresentem a informação e analisem honestamente o seu conteúdo, escancarando as gafes, os dados errados e, por tabela, mostrando a desinformação que orienta (?) a atuação de certos políticos. Como fez no caso do discurso besta do senador Camata, reproduzido acima.
    Vá em frente, Seabra!
    Nélio Lima

  2. Andressa says: 29 de outubro de 2009

    Como um Senador da República não tem vergonha de fazer um discurso baseado em argumentos equivocados? Errar a população da Argentina, o número de aviões e submarinos que serão compradosé primário com a disponibilidade de informações que temos na Internet nos dias atuais… E outra: como ele quer que o Brasil se defenda do narcotráfico mundial? A tapas? Como vigiar e proteger as fronteiras brasileiras sem aviões?
    Lamentável um pensamento tão limitado de um Senador…

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