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Ciro poderá ser o novo Enéias da política brasileira

Ciro Gomes

Na conversa que manteve com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, na última quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve do presidente do PSB o compromisso de que não será o Partido Socialista Brasileiro que colocará dificuldades para a candidatura da ministra Dilma Roussef à presidência da Republica.

Ele se referia à relutância do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) em retirar sua candidatura à sucessão de Lula, sustentando uma divisão na base do governo. Ciro, que havia prometido anunciar em fevereiro se manteria ou não a sua candidatura a presidente, voltou de suas férias na Europa resolvido empurrar sua decisão para março.

Campos disse a Lula que a preocupação maior do PSB é crescer nas próximas eleições, especialmente no Congresso Nacional, onde o partido tem 40 deputados e dois senadores. Com a ajuda de Lula para o aumento dessa bancada, a retirada de Ciro do páreo numa eleição em que o deputado não tem chances reais de vencer não seria muito difícil.

Após o encontro entre Lula e Campos, o senador Renato Casagrande lembrou que o PSB já tem candidato ao governo de São Paulo, o empresário Paulo Skaf, presidente da poderosa FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Em outras palavras, disse que não interessa ao partido ter Ciro como candidato ao governo paulista.

Se Ciro não pode ser candidato a presidente, não quer ser candidato ao governo de São Paulo, e o PSB pretende ampliar sua bancada no Congresso Nacional, resta ao deputado cearense a candidatura a deputado federal pelo Estado de São Paulo, uma vez que a vaga de senador do PSB já tem como candidato o vereador Gabriel Chalita.

Com a atual legislação eleitoral, na eleição proporcional os campeões de votos podem ajudar a eleição de outros candidatos da sua legenda. Ciro Gomes poderia com sua candidatura contribuir para o aumento da bancada do PSB na Câmara. Ele repetiria a façanha do ex-deputado Enéias Carneiro, que sozinho fez toda a bancada do PRONA.

Caso Ciro repita a votação de Enéias, que recebeu 1,5 milhão de votos, elegerá com ele mais quatro deputados federais. Se o partido reeleger seus atuais deputados, dobrará a bancada paulista na Câmara Federal que passará dos atuais cinco para dez deputados. Como Ciro só pode ser candidato por São Paulo, esta parece sua melhor saí­da.

A solução também agradaria ao PT paulista, que está muito refratário à candidatura de Ciro Gomes ao governo de São Paulo. O partido prefere ir à luta com um candidato nascido e criado dentro do PT e faz força para que o presidente Lula encontre alternativa para Ciro Gomes que não seja concorrer ao Palácio dos Bandeirantes.

Resta saber como ficará o plano nacional, pois em São Paulo o PSB tem uma ligação histórica com o PSDB. Como os dois partidos terão candidatos ao governo do Estado, ainda não se sabe com quem ficará o PSB em São Paulo – se apoiará o candidato do PSDB, que deverá ser o governador José Serra, ou do PT, certamente a ministra Dilma Roussef.

É muito pouco provável que Ciro venha a apoiar Serra. Ficaria para ele muito difícil mudar a relação azeda que tem com o governador a essa altura do campeonato. Por sua vez, seu apoio à ministra da Casa Civil dependeria também da definição do PSB paulista com relação ao candidato a presidente em cuja campanha o partido vai se engajar. Mas em São Paulo, o PSB está mais próximo do PSDB de José Serra do que do PT de Dilma Roussef.

Geraldo Seabra

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